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Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

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26
Nov19

Um adepto desiludido

Jur.nal

 

 

Bem, confesso-me um adepto do desporto no geral. Em termos figurativos, se o desporto for um buffet, eu sou o tipo de pessoa que escolhe um pouco de muito. Pratiquei 3 desportos (natação, basquetebol e andebol, a minha modalidade predileta) durante o meu desenvolvimento, desde miúdo com jardineiras a provável futuro licenciado em direito. Apesar de vir de um meio a quem o desporto era nada mais do que uma atividade extracurricular desenvolvedora de várias competências (agradecendo os meus progenitores), sempre tive o bicho do desporto (e consequentemente fui e sou um ávido crítico da nota de Educação Física não ser contabilizada para a média). E, inevitavelmente, é o futebol que me rouba mais tempo, não só pelo espaço mediático que ocupa mas sobretudo porque é o mais fácil de visualizar em stream (ups, chibei-me!).

 

Já andava há muito tempo para fazer esta análise, que na verdade é apenas a transcrição da minha visão atual do futebol, sobretudo o português (como adepto de um não-grande, há certos aspetos que passam menos despercebidos, ou que pelo menos são mais evidentes). E confesso que fico triste com o espetáculo que observo, incessantemente.

 

O futebol não é uma modalidade estática, aliás, nenhuma o é. Estática no sentido em que as mutações que ocorrem constantemente obrigam a uma constante reflexão sobre o "estado da coisa". O futebol português, contudo, parece querer remar contra uma corrente demasiado forte para a falta de estaleca dos portugueses. Numa era de otimização do físico dos jogadores, das capacidades técnicas, da inteligência de jogo e da capacidade mental de estar perante milhares de adeptos no estádio, fora todos aqueles bem concentrados dentro das câmaras, o jogador de campeonato português é aquele colega que lá vai passando de ano pelos pingos da chuva, não se destacando em nenhum desses aspetos (será que é daqui que vem a "luz" do Costa para poupar os cofres com a questão dos chumbos?).  O exponente máximo do que refiro são as terríveis exibições dos clubes "tugas" na Europa.

 

Temos um Benfica estático, sem frescura física (talvez com Grimaldo como exemplo perfeito), debilitado tecnicamente (Rafa que esteve para rumar ao enorme campeonato turco antes do Vieira ter uma "luz" e mantê-lo no plantel, Gabriel que vem de um modesto Leganés), em suma muito inferior ao necessário para atingir a "dimensão europeia". A aposta da formação é uma necessidade sem sombra de dúvidas. Mas será que meter os melhores num jogo contra um adversário modesto do nosso campeonato para depois largar os miúdos sem para-quedas na Normandia que é a UEFA Champions League é a melhor opção?

 

Um Porto vergonhoso cuja única surpresa que nos dá esta época é a posição na tabela da Liga Europa. Futebol extremamente previsível (ora por chutão, ora por variação lenta entre flancos, com laterais projetados ofensivamente, extremos que deixam de ser extremos por estarem em terrenos interiores, e cruzamentos a torto e a direito, na esperança de que apareça Zé Luis/Marega/centrais vindos do nada), com uma carteira extremamente apertada, mas sem um aparente projeto que permita a sustentabilidade de um clube que já muito fez pela reputação do campeonato português (para o melhor e para o pior).

 

Um Sporting ainda a perceber se é carne, peixe ou soja, em completo reboliço, sem sequer ter carteira e, mais que isso, com a clara falta de ideias de jogo, parecendo um grupo de amigos que se juntou para dar uns toques antes do jantar (e que depois levam da mãe na cabeça porque o arroz com salsichas e um ovo estrelado por cima ficou frio). Além de sem saber o que é, não há um esforço entre todos os sócios para se tentar arranjar uma solução. Já imaginaram o que era se cada neurónio dum cérebro funcionasse de forma diferente de todos os outros? Pois, eis o Sporting.

 

Um Guimarães que, recordando um sketch dos Gato Fedorento, vai para a guerra com "um pau, dos mais afiados" e 11+3 homens, contra "30 mil homens", armados com "canhões, algumas metralhadoras e 3 mísseis", fez sempre um "quase conseguimos". Com Ivo Vieira ao comando, inspirado pelos longínquos tempos em que, ao comando do Marítimo, vergou o FC Porto na meia final da Taça da Liga (e que recordo, com tanta saudade), e que apresenta um futebol fluído, clínico (a falhar talvez na eficácia). Fico a pensar que, com outros intérpretes e outra carteira, quem sabe se não estaríamos perante o próximo Leicester...

 

Não posso criticar o Braga porque têm feito um excelente percurso... até olharem para dentro de casa e perceberem que talvez deixar os biscoitos no forno enquanto se sai de casa para ir ao supermercado pode ser um risco demasiado grande. António Salvador promete um título nacional... para daqui a 3 anos, todos os anos. Parece o Costa a dizer que não vai aumentar os impostos.

 

Pareço o velho do Adamastor, talvez me exceda na crítica. Mas a falta de qualidade de jogo jogado, as constantes "fitas" dos jogadores (somos das piores ligas europeias em tempo útil de jogo), o constante autocarro... Há soluções? Talvez não imediatas, mas é sempre possível criar condições para que as coisas se possam desenvolver. Campeões Europeus? Sim somos, pelo menos até 2020. O facto de o Éder, sendo o jogador que é, ter marcado aquele maldito golo, é talvez a melhor demonstração daquilo que somos, prova de que há ainda muito por fazer.

 

Pedro Catanho

(Aluno do 4.º ano da Licenciatura)

 

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