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Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

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01
Mar21

Títulos

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Hoje em dia, somos categorizados em Títulos, os que temos, e os que não temos mas que pretendemos ter, os que deveríamos ter, e aqueles que nos são roubados. Todos nós temos Títulos pelos quais somos representados.

Título de Amigos, de Namorados, de Casados, de Pais e Mães e de Doutores. Todos estes Títulos fazem com que nós tenhamos a necessidade de chamar a alguém, algo mais do que o próprio Nome, que também foi um Título que nos foi dado à nascença. Talvez, pela necessidade de nos associar à inclusão da sociedade, que com urgência nos exige que sejamos alguém antes de o ser.

Os Títulos são só Títulos quando são vividos, quando são presenciados, quando passam a uma existência real. O amigo deixa de ser amigo quando o Título cai e não resta mais nada, senão o vazio de algo que já se esgotou e os namorados têm Títulos efémeros, que caiem quando existe uma ponte muito longa entre as duas ilhas.

Com os Títulos há sempre a apropriação de uma identidade, que pode revelar-se tão vazia, como a folha de papel em branco que tinha antes de começar a escrever. Continuadamente, ouvem-se apresentações; “ Esta é a minha mulher”, “ Este é o meu marido”, “ Este é o meu pai”, ou “Esta é a minha mãe”. Minhas ou Meus! Não se vendem ou se compram Títulos, e quem os têm não pode exercer o domínio sobre os mesmos.

Temos também os Doutores. Aqueles que acham que são, e aqueles que o são efectivamente. Muitos são os que usam o Título de Doutor, sem que ao mesmo pertençam. Contrariamente, os que efectivamente se incluem no Título de Doutor, por vezes não os querem usar, por não sentirem vínculo ao Título em si.

Depois vem a sociedade dizer e referenciar novamente, que pertences a um pai, ou que pertences a uma mãe. Mesmo que para ti, outras pessoas que não as biológicas, possam representar esse Título, as mesmas nunca serão reconhecidas na sociedade devido à ausência de Título. A sociedade não pensa fora da área traçada no chão, em que está minuciosamente inserida, e mantêm uma comunicação articulada e mecânica. Se retiramos uma frase ao seu diálogo, tudo deixará de fazer sentido.

A hipocrisia dos Títulos e das respectivas categorias, gritam a necessidade de serem notórios e superiores, mesmo que existem só em; documentos, cartões, diplomas ou mesmo cartas. Ironicamente, muitas vezes, esses Títulos não ganham, o direito de lá estar.

Esta hipocrisia dos Títulos tira a autenticidade, a serenidade emocional, a liberdade de podermos ser só aquilo que sentimos que devemos ser. O Título será vazio senão for vivido, saboreado, salpicado de cores escuras e coloridas. Assim é a vida na sua unicidade.

Não ganhas os Títulos, porque os tens pendurado numa parede, ora porque os escreveste em papel, ou porque simplesmente o disseste a alguém. Os Títulos não são teus, até que tu os mereças tê-los. Não serás completo até que as tuas acções se encaminhem na direcção dos Títulos, e quando lá chegares verás que eles só terão valor se forem continuadamente vividos, de forma a passar várias vezes pelo ponto de partida e de chegada. Os Títulos não te moldam, mas tu podes e deves moldá-los.

 

Tânia Azevedo (Aluna Do 4.º Ano Da Licenciatura e Vice-diretora do Jur.nal)

 

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