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Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

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21
Fev20

Erasmus à Bolonhesa: Mudar de País e Mudar de Vida

Jur.nal

 

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Peçam-me para descrever Erasmus em duas palavras. Tenho várias:
Piazza verdi;
Inês Correia;
Apperol spritz;
Alma Mater.

Todas elas representam um pouco de tudo aquilo que tive e todas elas culminam numa só palavra: crescimento.

A mudança para outro País, e a independência a que a isso está associada também traz muitas escolhas. Ir às aulas com presença obrigatória depois de uma saida à noite, ao mesmo tempo que a casa que deixaste nessa manhã precisa de ser limpa e arrumada, nunca esquecendo as tarefas que ninguém pode fazer por ti, e o orçamento mensal que tens para gerir.

Estas escolhas resultam num constante crecimento de priorização. Se queres apanhar um voo no fim de semana por 30€ (ida e volta), não vais comprar as calças giras novas na montra da Via dell'Independenza... se queres ir almoçar fora durante as 24 horas que passas em Viena, talvez as compras de comida do mês se reduzam ao essencial, sem os ditos guilty pleasures.

Estas prioridades também se revelam nas pessoas: naquelas com quem de um mês para o outro passam a ser os teus amigos, com quem por mais cafés tomados e croissants de albicoca que partilhes, vais ter sempre mais conversa para um aperitivo ao sabor de um Apperol spritz. São pessoas maiores do que qualquer distância.

São amizades mais fortes do que qualquer fronteira.

Mas amizades novas nunca susbtituem as da vida, porque essas manifestam se através de uma pequena mensagem ou de uma curta chamada "só para saber como é que está a ser". Estas enchem o coração, porque concretizam a realidade de que "casa" pode ser qualquer país. Porque as pessoas que de casa fazem parte, nunca te deixaram partir.

Erasmus é intensidade, é descoberta, é espontaneidade.

É uma tela em branco sem qualquer preconceito. Ali, seja onde for, és tu, sem filtro e sem limite. Mas é também um espaço de reflexão e realização.

É aprender a apreciar os outros e a gostar de nós mesmos, da nossa companhia, porque passamos a contar connosco para tudo e de nós mesmos não podemos fugir, por mais aviões que apanhemos.

É sentir saudades do que ainda não se viveu e é olhar para trás e ver que não houve um dia em que não houve algo de novo a aprender.

Foram 4 meses de vida. Porque todos os momentos pelos quais aquela cidade me viu passar são momentos que só posso olhar com a mesma felicidade com que os vivi.  E só conhece essa felicidade por quem ela passou.

Mas por isso é que dizem que Erasmus é um estado de vida e assim chego ao final deste texto e do meu Erasmus capaz de o descrever em uma palavra:

Grazie.

 

Joana Nunes

(Aluna do 3.º ano da Licenciatura)

 

24
Set19

Uma Aventura no Oriente

Jur.nal

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23 de agosto 2019

 

 

Nem sempre tudo o que fazemos muito em função das modas e bons testemunhos tem os seus alicerces nos mesmos motivos e, estranhamente ou não, os mesmos percursos podem levar-nos a absorver e carregar sentimentos muito diferentes.

 

Apesar de ter chegado a Macau há apenas uma semana, tenho compreendido algo que é tão senso comum, mas não tão fácil de captar: cada pessoa leva um programa de intercâmbio com um peso e leveza distintos e cada qual tem no seu subconsciente as verdadeiras razões por detrás disso, que sempre ultrapassam o querer enriquecer o currículo.

 

O sítio que escolhemos também acaba por dizer muito sobre os desafios e interesses que queremos encarar. Acabo por sentir que fazer um intercâmbio em Macau se tem revelado uma turbulência de emoções. Como disse acima, só passou uma semana, mas quando os dias são imprevisíveis, quando estamos a adaptar-nos ao outro, a um outro tão diferente de nós, a um lugar onde somos estranhos em sentido amplo, poucos dias sabem a muito; somos mais capazes todos os dias porque agora estamos por nossa conta. Começar do zero desta forma não se compara a qualquer experiência e deverá ser por isso que cedo nos é dito que é importante passar por isto, crescer.

 

5 de setembro 2019

 

Crescer.

 

20 dias passaram desde que cheguei aqui e o meu crescimento, autoconhecimento e capacidade de superação atingiram níveis que um par de anos não pareceu carregar.

 

Nas primeiras noites e manhãs tive frio. Foi um frio similar àquele frio de dormir com uma botija de água quente porque é mais confortável, o mesmo frio de ser verão e ficar no sofá com a manta só a cobrir os pés porque sim. É o frio do aconchego, da necessidade de privacidade, de ver todos os dias pessoas tão diferentes de mim e ainda assim ser eu A pessoa diferente, a estranha.

 

Não há um manual de instruções que nos ensine a pôr de parte certos estereótipos e preconceitos que nem sabíamos bem que tínhamos; que nos ensine o que se faz fora da bolha na qual vivemos: cá somos ninguém para toda a gente, não temos o nosso quarto, família e amigos, vivemos com um budget mais contado. Aterrámos aqui e o mecanismo de defesa é comparar tudo e todos com o que conhecemos e o que conhecemos é, na nossa cabeça, melhor. Mas só é melhor porque não é difícil e o difícil nisto vem da maneira como mexe com o ego e com inseguranças.

 

No fundo, há que aceitar que não vamos controlar 99,(9)% do nosso dia e das duas uma: ou embarcamos ou nos refugiamos no quarto à espera que um monte de desconhecidos batam à porta com o sonho de serem nossos amigos.

 

Vir estudar para Macau não é um tipo de intercâmbio do género «férias grandes» e a Universidade de Macau tem muito de similar à Nova, seja no método de avaliação, seja na proximidade professor-aluno. Uma grande diferença passa por um requisito de presenças obrigatórias a 80% das aulas, bem como um horário mais próximo do que chamamos de pós-laboral, o que, por um lado, permite ao estudante aproveitar todo o seu dia e, por outro, poder ainda fazer planos para a noite. Tem-se afigurado uma faculdade exigente e proporciona as equivalências necessárias para fazermos um semestre similar ao que faríamos na Nova.

 

Na minha ótica, essa rotina diária e seriedade conferem boas ferramentas de comparação entre o ensino português e o macaense, rodeiam-nos de portugueses que vivem e estudam cá – quer nascidos em Macau ou vindos de Portugal – e conseguimos atingir um certo tato e sensibilidade sobre como se vive aqui, o que não é certamente possível em todas as faculdades; nem há qualquer outra cultura em que vejamos um distanciamento tão grande e, ao mesmo tempo, a proximidade com Portugal.

 

Com isto, pretendo dar uma perspetiva transparente, sendo esse o lema que adoto sempre. Fazer um intercâmbio tem tanto de liberdade, de festa, surpresas, de um desapego saudável aos bens materiais, lugares e pessoas que nos acrescentam, como de uma quantidade de desafios iniciais que nos fazem questionar se isto é certo, se estamos a fazer o nosso melhor, que nos obrigam a saber gerir horários, gerir dinheiro, lidar com situações inesperadas, lidar com alguma solidão. Há um processo de normalização e abrir a mente desde o dia 1. E desde o dia 1, cresci. E todos os dias compreendo-me melhor, relativizo os meus medos e continuo a brotar.

 

Passam 20 dias e sou mais feliz por estar do outro lado do mundo a deixar-me contagiar pela beleza da diferença.

 

Madalena Almeida

Aluna do 3.º ano da Licenciatura (atualmente em Erasmus em Macau)

 

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