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JUR.NAL ONLINE

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

06
Dez19

Poesia #7

Jur.nal

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Estou hoje vencido

Pela indiferença cansada

De quem não se deixou de perder

Pelos caminhos ilusórios

Da mentira que veste o mundo.

 

Perdi-me por entre os recantos

Daquilo que opaco sempre fora

(E permanecera)

Sem que a perceção da falta de norte

Me visitasse.

 

Não me doeu,

Nem me dói.

(Mas devia)

 

O caminho é tudo

O que somos

E o que seremos

E o que fomos,

Mas eu não.

 

Sou,

Não a estrada percorrida,

Mas a estrada por percorrer.

 

Ela era alheia e eu um alheado,

Sentia a dor dos buracos

Mas não a da escolha pelo vazio

Que me sugou a vida

Oferecendo-me nada mais

Do que nada.

 

Hoje quero que me doa

Mas não dói,

O cansaço da inércia

Está agarrado à indiferença

Do que de uma sombra alheia

(Que me oculara o ser)

Não passou.

 

Não me dói

Mas tenho a esperança

De que venha a doer,

De que o trilho da próxima

Estrada me faça sentir

Mais do que a indiferença

Da existência

De vida desprovida.

 

Quero que me doa.

 

André Neves

Aluno do 2.º ano da Licenciatura

 

11
Jun19

Anónimos #8

Jur.nal

 

 

Quero abrandar o tempo

Quanto mais rápido envelhecer

Mais rápido terei um corpo estranho a mim mesma

Um corpo que nunca terás tocado

Um corpo que será a materialização de nada que importou

Como pode um ser consumir outro sem lhe tocar

O toque é somente físico

Nunca foi algo mais

O maior erro humano foi dar significado a algo tão efémero

Algo que mude e que arruíne

Não há mais nada depois

É um antes e um depois

A demonstração clássica da ausência futura

Futuro contaminado pelas barbáricas farsas

Como uma má encenação que aplaudimos por não conhecer melhor

29
Mai19

JU(NIO)R.NAL #2

Jur.nal

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Armas, x-atos e forcas

O anjo da morte em forte aparição

À minha volta nada, a não ser conflito

Sangue brota, jorra, desprende-se da podridão

 

As pombas suspiram aos meus ouvidos,

De repente, vislumbres do que poderia ter sido,

Esta alegria fantasmagórica aquece-me os sentidos

Sinto a alma deixar-me, o corpo numa confusão

 

Tento agarrar-me ao que desejo e não tenho, fôlego

Da vida em que não existo e que tanto aspiro

Quero reconstruir-me e logo me afogo

Luto, sangro, tento erguer-me, masoquismo

Sem fim...

 

Nada feito! Desvaneço…

 

A minh´alma tenta mas não me alcança…

Tudo à minha volta se desmorona num abismo sem fim…

O sol bem tenta mas não me atravessa…

Os meus olhos encerram-se através do terror de me ter a mim

 

Que droga foi a que inalei?

Essência de Inferno em vez de Paraíso?

Que maldição a mim própria lancei?

Como é que com este estupendo sofrimento me imortalizo?

 

Nem droga nem morfina. O que me queimou,

Foi álcool mais invulgar que se entranhou:

Só o meu ser me alucinou - Luz tão forte que me amortalhou.

 

Sofia Ribeiro

24
Mai19

JU(NIO)R.NAL #1

Jur.nal

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Apaixonei-me por ti.

Pelos mistérios, segredos e encantos.

Apaixonei-me pelos cantos e recantos de cada cantinho do teu ser.

Dormir só para ver o amanhecer,

Despedirmo-nos ao entardecer…

 

Assim me despeço de ti, de nós,

Do que poderia vir a ser fruto do nosso amor,

Não posso continuar mais, por favor!

“Faz o favor de ser feliz”, já dizia aquele senhor.

 

Eu irei tentar fazê-lo,

À maneira que antes te pertencia,

E como que por magia se desapegou…

Para o futuro olhou e viu que passado eras…

 

Não quero mais primaveras,

O inverno chegou.

 

E com ele, tudo levou.

 

Milene Luz

 

03
Mai19

Poesia #6

Jur.nal

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Duas da madrugada,

Uma leve brisa

E uma praia deserta,

Será o paraíso?

 

Se há coisa mais bela

Do que o silêncio

Coisa essa é

O som do mar,

O som da imensidão

A bater no areal,

O som da voz de Deus

Ou de outra coisa

Que se lhe assemelhe,

O som de tudo

Para os ouvidos de nada.

 

Do pó viemos

E para o pó iremos,

A única forma

De enquanto existimos

Pó não sermos

É viver,

E viver é sentir,

É sentir a brisa

Desta noite estrelada,

É sentir a areia fria

Nos pés gelados,

É escutar o mar

De olhos fechados,

É sentir os sorrisos,

As lágrimas,

Os abraços,

Os beijos

E os gritos,

É vislumbrar num olhar

A imensidão

De tudo aquilo

Que podemos sentir,

(E podemos sentir muito)

 

Os amores dos livros

Não são impossíveis

E a felicidade não está

No final de semana.

 

Pensemos e sonhemos

Mas por tal não fiquemos,

Sobretudo vivamos,

Porque se não vivermos

De defuntos adiados

Não passamos,

E o que pior

Do que isso será?

Decerto que nada.

 

Mas mais importante

Do que qualquer conclusão

É fechar os olhos

E escutar o mar.

 

André Neves

20
Abr19

Poesia #5

Jur.nal

 

 

Estou naquele dia perclaro dos sentimentos, 

Das tentações, dos sofrimentos,  

Que me arrastam incessantemente  

Pelos cabelos, incontidamente, 

E me atiram pelos veios da escada. 

 

Estou esfolado, vencido, mal-tratado, 

Sofrido, perdido, engelhado, 

Esfomeado.  

A lagarta está em seu casulo, 

Mas daqui não sairá borboleta, 

Nem fada, nem opereta; 

Tudo quanto aqui havia morreu, 

Ou foi para a glória de Perseu. 

 

Não há cor, harmonia, 

Nem virtude, nem sinfonia, 

Que nos deslumbre: 

Todo o fulgor, alento, 

Alegria, fomento 

Sucumbiu 

Aos olhos sufocantes da mentira. 

 

Tiago Jorge

15
Abr19

Poesia #4

Jur.nal

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Não conheço nada nem ninguém,

(Conheço ideias que das coisas concebo).

 

Não poderá para mim alguém algo ser

Que para além da minha compreensão esteja,

Tal como não poderei eu para outrem ser algo

Que para lá se encontre do que tal mente projeta.

Nada intrinsecamente sou e o que para mim os outros são

De uma imagem por certo jamais dia algum passará.

 

O amor não mais se me afigura do que um sentimento

Nascido de uma representação mental,

Representação essa que não raras vezes disforme se torna

Aquando o primeiro sopro de um vento não endereçado,

(Tal como todos os sentimentos).

 

O que para o que sinto releva não é a mudança nos entes

Mas a mudança na imagem que deles tenho,

(Quem diz entes diz ideais).

 

Sou eu tantas coisas que coisa alguma sou

Que existência em si mesma tenha,

Perguntem a dez entes que comigo convivam

E nenhum deles semelhante representação de mim terá,

Seja ou não a minha conduta idêntica para com estes

Irão eles idealizar-me de acordo com a sua própria natureza,

Serei eu portanto dez sujeitos diferentes

Que parecenças poucas entre si terão.

 

Será a figura que de mim concebo a verdadeira?

A verdade e a mentira precisam de algo identificável

Para que se possam uma à outra sobrepor,

Como possível me não é conceber algo que não abstrato seja

Imerso me encontro num labirinto de paredes escritas,

De paredes escritas com palavras que significam

Exatamente o que lhes imprima a minha atual índole – ou seja o eu de hoje,

(Eu que nada sou para além de representações),

(Eu que amanhã diferentemente de hoje por mim próprio concebido serei).

 

A realidade das coisas não está nelas mesmas nem em coisa alguma

Porque as ideias que dela concebo para além do abstrato não vão,

Vivo num mundo das ideias – eu que sou uma ideia incerta que de mim conjeturo

(Como sou outras tantas ideias voláteis por voláteis ideias outras concebidas).

 

Não sou nada para além disto nem nada ou ninguém

Para além do mesmo do que sou eu é,

As coisas não têm existência em si mesmo

E de outras coisas precisam para coisa alguma ser,

(O mesmo sucedendo com coisas outras essas).

 

O meu mundo de ideias não passa – sendo ele próprio uma ideia

Por milhentas ideias diferentes diferentemente concebida.

 

André Neves

 

25
Mar19

Poesia #3

Jur.nal

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Sou um paradoxo que existindo vai
Sem que possa dizer que vive,
Que com sublimes paixões sonha
E somente ordinárias vivencia,
Que com amálgamas de intensas sensações
Se funde no pensamento
Mas nada fora dele sente,
Sou enorme por dentro
E de um átomo por fora não passo,
Talvez jamais daquele
Que no real algo poderia ter sido passarei
E permaneça eternamente aquele
Que para além da cogitação não vai,
Existo total e completamente em mim
Mas a realidade das coisas não alcanço,
Sempre que a intento enxergar
Me desiludo com a sua falta de cor
E instantaneamente para mim me volto,
Fecho os olhos e sou algo
Que sente e vive como quem é feliz,
Adormeço com um sorriso
Que roubado poderia ter sido
A alguém que se realiza
No que jamais me realizará,
Contudo sorriso esse devolvido será
Porque o amanhã por certo
Penosamente me abrirá os olhos,
Tal como todos os soturnos dias
Que me extinguem a luz noturna.

 

André Neves

 

15
Mar19

Poesia #2

Jur.nal

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Pensamentos húmidos escorrem

Pelas paredes negras do meu quarto,

Vejo-os como quem nada mais vê

E com eles me enleio plena e disformemente.

A liberdade é-me somente alcançável

Se acorrentado me encontrar

Ao impossivelmente real fora de mim

Mas impreterivelmente real

Dentro do que jamais deixarei de ser.

Sou a liberdade presa numa gaiola

Que se suscetível fosse de desaparecer

Findaria por arrasto com o vento

Que potencia o que ninguém pode ver.

O que sou eu se não um homem só?

Um homem que se não alcança

Se não se encontrar preso em si mesmo?

As vozes alheias afiguram-se-me

Como que buracos negros

Para toda e qualquer pretensão

De ser algo que não ordinário seja.

O que sou eu se não cogitações

Que me materializam o ser

Por intermédio de palavras inúteis?

O que sou eu se não cogitações

Que nada acrescentarão ao mundo externo

Porque sempre e somente centradas no interno são?

Mas afinal o que poderia ser eu se não eu?

O que seria eu se pensasse

Em algo que por mim não passasse?

Um pensamento que comigo se funda

Jamais poderia deixar de ser meu

E tudo o que é meu a mim respeita.

Estes vocábulos inúteis potenciam-me

A liberdade e portanto a vida,

É isto um fim em si mesmo

E não objeto de algo que um fim em si não seja.

Ser livre é poder ser eu,

Jamais precisarei de uma janela.

 

André Neves

 

02
Mar19

Poesia #1

Jur.nal

Sobre a terra, antes da escrita e da imprensa, existiu a poesia - Pablo Neruda. 

 

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Within my arrow of sorrow,

I see the face of death
Within my breath I feel the voyages, the splendours, the greatness of everything.
I can’t catch them.
There is too much sorrow,
Too much loneliness and madness in this heart.

 

When the time comes,
One shall bleed until the end
One shall fight until his last tought.
When the time comes,
When our King dies,
Then we will have no more life to spare, no more burdens to carry.
For this is the evil side of liberty:
Trust no one,
Believe no one,
No one besides yourself.

 

There is no us now,
Only the saddest and most painful dress of narcissism.
When that day comes,
One shall meet his end.

 

Tiago Jorge

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