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JUR.NAL ONLINE

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

21
Fev20

Erasmus à Bolonhesa: Mudar de País e Mudar de Vida

Jur.nal

 

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Peçam-me para descrever Erasmus em duas palavras. Tenho várias:
Piazza verdi;
Inês Correia;
Apperol spritz;
Alma Mater.

Todas elas representam um pouco de tudo aquilo que tive e todas elas culminam numa só palavra: crescimento.

A mudança para outro País, e a independência a que a isso está associada também traz muitas escolhas. Ir às aulas com presença obrigatória depois de uma saida à noite, ao mesmo tempo que a casa que deixaste nessa manhã precisa de ser limpa e arrumada, nunca esquecendo as tarefas que ninguém pode fazer por ti, e o orçamento mensal que tens para gerir.

Estas escolhas resultam num constante crecimento de priorização. Se queres apanhar um voo no fim de semana por 30€ (ida e volta), não vais comprar as calças giras novas na montra da Via dell'Independenza... se queres ir almoçar fora durante as 24 horas que passas em Viena, talvez as compras de comida do mês se reduzam ao essencial, sem os ditos guilty pleasures.

Estas prioridades também se revelam nas pessoas: naquelas com quem de um mês para o outro passam a ser os teus amigos, com quem por mais cafés tomados e croissants de albicoca que partilhes, vais ter sempre mais conversa para um aperitivo ao sabor de um Apperol spritz. São pessoas maiores do que qualquer distância.

São amizades mais fortes do que qualquer fronteira.

Mas amizades novas nunca susbtituem as da vida, porque essas manifestam se através de uma pequena mensagem ou de uma curta chamada "só para saber como é que está a ser". Estas enchem o coração, porque concretizam a realidade de que "casa" pode ser qualquer país. Porque as pessoas que de casa fazem parte, nunca te deixaram partir.

Erasmus é intensidade, é descoberta, é espontaneidade.

É uma tela em branco sem qualquer preconceito. Ali, seja onde for, és tu, sem filtro e sem limite. Mas é também um espaço de reflexão e realização.

É aprender a apreciar os outros e a gostar de nós mesmos, da nossa companhia, porque passamos a contar connosco para tudo e de nós mesmos não podemos fugir, por mais aviões que apanhemos.

É sentir saudades do que ainda não se viveu e é olhar para trás e ver que não houve um dia em que não houve algo de novo a aprender.

Foram 4 meses de vida. Porque todos os momentos pelos quais aquela cidade me viu passar são momentos que só posso olhar com a mesma felicidade com que os vivi.  E só conhece essa felicidade por quem ela passou.

Mas por isso é que dizem que Erasmus é um estado de vida e assim chego ao final deste texto e do meu Erasmus capaz de o descrever em uma palavra:

Grazie.

 

Joana Nunes

(Aluna do 3.º ano da Licenciatura)

 

12
Dez19

Uma Aventura no Oriente III

Jur.nal

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Já se vai evaporando esta miragem deslumbrada com cheiro a novidade. Já sabe a pouco este vinho que me deixava alegre.

O que é voltar? Voltar significa regresso, mas a que chamam ao retrocesso de um processo que envolveu mais que lançar cartas?

Já pouco aqui se passa que chame a atenção, pois a lei da vida é a racionalização de qualquer significância ao nada.

Uns despedem-se das aventuras pelo globo.

Há quem se despeça mais do campus, do quartinho que decorou para poder chamar de casa.

Outros despedem-se uns dos outros, com promessas de voltar.

E há sempre quem se vá despedindo de cada bocadinho rotineiro, cada lugar no qual, inconscientemente, se senta todos os dias na cantina, aqueles noodles de pequeno-almoço, o inverno que mais parece primavera, a biblioteca de estética arquitetura com milhares de livros espalhados em 5 andares; e das relações de vizinhança – vida cheia de gente, contente descontente, se cruza todos os dias e dá aquele apoio moral na única despedida que temos tido em comum: mais uma pinga de café por cada página virada, cada desespero nesta correria de 2 semanas nas quais já pouco nos cruzamos, no que não seja nesta companhia de noites de estudo esquizofrénicas de quem corre contra o tempo.

E ele não pára de correr.

Mas resta alguém que se despeça de si próprio? Também isso será comum?

Resta-me a graça desgraçada de me arrastar por velhas ruas e velhas gentes, enquanto todos se voltam a expressar na forma mais eficaz de violência: e vai um boato, e vai uma ofensa e vão posts de raiva injustificada. Encolhem o mundo na rotina da mesma hora, transporte, bom dia, boa tarde, qual tranbordo de sociabilidade perfumada! Perfume de intenso e espalhado que enjoa, bem como os sucessos efémeros das vedetas na sua bolha.

Aqui absorve-se água transparente, desde luzes nela refletidas até horas depois as nuvens se esgueirando perseguindo-se em linha reta.

Será um televisor sem sinal que só mostra quadradinhos pretos e brancos que se ondulam sem perderem forma, ainda que disformes?

Mas que na verdade absorve a vista no primeiro momento e de resto já capta o preguiçoso embasbacado, que com vício se deixa especar nesse nada.

Olhar cativo da rotina que sempre cativa pelo conforto. Como se sonha acordado, lá olhamos e voltamos a fitar, até que desviamos o olhar e, por alguma ciência que não me cabe a mim deslindar, já ele se acostuma ao padrão e ainda está a ver a quadrilhagem ao redor. Que impressão causa esta cegueira de vermos tudo igual.

Receio que crie nova velha deficiência de tanto ver mais do mesmo e que o que de colorido vi fique sotoposto, que sempre que tente ver o programa, continue a ir abaixo e me volte a juntar ao vício do preto e branco e não me vou querer levantar. Dá trabalho.

Porque tudo dá trabalho e se nos habituamos, deixamo-nos perder nessa fixação. Se um dia temos a chave de mudar, podemos bem perdê-la e não há chave duplicada.

E se perco?

No fundo que mudança de mundo quando se sai do televisor e estamos em casa, passa o circo e não sou personagem do outro lado; é Natal e mais um ano passa.

Adeus Macau.

E se perco

Já não sei a morada.

E se não souber

Espalhou-se por aqui que não há morada fixa.

 

Madalena Almeida

Aluna do 3.º ano da Licenciatura (atualmente em Erasmus em Macau)

04
Nov19

Uma Aventura no Oriente II

Jur.nal

 

 

Após mais uma aventura – esta agora em Shanghai – sinto que preciso de escrever para eu própria me relembrar de tudo aquilo que, na medida do deambular e fotografar, pensava que deveria escrever.

 

Fui a Shanghai sozinha quatro dias e um deles cheguei a ir a uma província também muito visitada e apenas a 1h de comboio. Posso dizer, antes de mais, que o que me vem mais facilmente à cabeça referir é mesmo o receio inicial de, como disse a minha amiga italiana que já viajou sozinha, «feel the void». Ainda assim, decidi seguir o meu instinto, fazer a coisa à minha maneira e canalizar o meu dinheiro em destinos prioritários.

 

Só me faz sentido retirar desta experiência idas à China, conhecer a cultura predominante dos meus dias, pois acho que são viagens de uma vida, com ida e volta contadas. Shanghai é, obviamente, um clássico chinês e dá realmente uma boa perspetiva do rumo cosmopolita, uma evolução a olhos vistos, mas que, de perto, consegue ser bem minimalista e com espaços distintos em harmonia. Há quem lhe chame a Nova Iorque chinesa quando se depare com a People’s Square e a infinita Ninjang Road, mas nem por isso descuro a tradição que está tão presente no Yu Garden e nos templos. Chega a haver uma mistura de épocas, muito visível em Jing’An. Sem querer dar o spoil, faria tudo outra vez e não mudava uma vírgula (quer dizer, mudava ter perdido o meu cartão de crédito durante três horas…mas isso não conta).

 

Cheguei e tive oportunidade de conhecer no aeroporto – um aeroporto tão imenso, tão confuso, tão… em chinês – um rapaz de Shanghai, de seu nome Larry Lu, que me viu feita barata tonta a treinar técnicas de tradução na máquina de venda de bilhetes para o metro. Assumiu ali o controlo da situação, corria e perguntava por uma máquina de multibanco, por uma máquina de trocar as notas maiores (que a máquina do metro não aceitava), explicava, esclarecia com mais energia que eu – que tinha dormido umas boas duas horas extra no avião – no melhor inglês que sabia. Levou-me inclusivé à minha paragem de metro, a uma hora do aeroporto, a dita «xinzha road» que, dita por mim, poderia ser umas outras três ou quarto que lá têm – jing’an, jinjian, entre outras combinações possíveis.

 

O meu hostel era convidativo, com um jardim exterior iluminado e colorido, bancos de baloiço e tudo em madeira, com uns cinco ou seis gatinhos que já eram tão hóspedes que se tornaram marca do espaço. As pessoas diziam olá calorosamente, mesmo não percebendo que raio de espécie eu era e porque é que estava ali sozinha aparentando ter 12 anos. Na verdade, ao lado daquela malta forasteira eu parecia uma blogger de 16 anos com a mania que é aventureira.

 

Mas senti-me tão bem: só eu e a minha câmara pendurada no ombro e um saco com carteira, bloco e caneta no outro; um saco de pano que estava a competir comigo na leveza aparentada. Não sentia aquele nó na garganta, o medo de pessoas, de metros, de culturas, de coisas. Só me sentia a chapinhar na minha própria independência, sem me preocupar para onde iam esses salpicos.

 

Lembro-me perfeitamente quando no dia 12 dei o dia de folga a Shanghai e fui para Hangzhou às 6h40. Sair do hostel às 5h e pouco e parecer-me estar numa rua completamente diferente. Aquela luz azulada a tentar encontrar tons alaranjados, uma brisa acompanhada do despertar dos pássaros; aqueles que regressavam a casa, aqueles que se preparavam para um novo dia e, subitamente, o trânsito fluído parecia uma dança de motas a rodopiar sozinhas e silenciosas. Não sei porquê, mas apeteceu-me ficar a apreciar como um início de dia pode ser tão bonito sem uma razão, mas cheia delas.

 

 

A voltar senti exatamente o mesmo. Vim a dormir na viagem de comboio e fui acordada por uma rapariga que, tal como 99(,9)% das pessoas, não falava inglês, mas ia tomar o meu lugar e percebeu que aquela era a minha paragem. Começou a abanar-me a apontar para a estação e eu sem perceber coisa alguma lá corri ensonada e estava com os fones numa playlist automática. Não conhecendo a música, esta estranhamente condizia com aquele momento, com aquela noite de volta a Shanghai e estava feliz por ter dormido e por ter sido acordada a tempo de não passar uma noite ao relento. Com aquele som, saí a sorrir e apetecia-me dançar pelas luzes intermitentes da estação sem vergonhas e inibições. Sentia-me em casa, de alguma forma. Já nem me importava de retornar às estradas de motociclos sem regras, que não cumprem sinais vermelhos e até andam no passeio e apitam para o peão se desviar, bem como o retornar a uma inquebrável barreira linguística que me treinou de certeza para o campeonato de mímica. Tudo me parecia tão insignificante de tão significante que esta viagem estava a ser para mim.

 

Não acho que seja sobre Shanghai, sobre os ares da China ou a cultura asiática. Acho que percebi que gerir o meu caminho consegue ser uma coisa tão bonita e que não sou mais eu ou menos eu com base nas pessoas com quem estou, porque sou genuína. Senti-me a mesma e descobri facetas minhas tão bonitas que às vezes não sobressaem aos outros por ausência de circunstância. Quando estamos um bom bocado sozinhos e quando conseguimos sobreviver numa selva, sem nos querermos apegar à jaula, sabemos que somos capazes e que somos uma excelente companhia. Percebemos que não há ali ninguém para nos dizer que devíamos sorrir mais, que devíamos vestir outra coisa, que devíamos ter posto um corretor de olheiras naquele dia, que isto ou aquilo já passou de moda, que aquele anda com aquela e que ela fala mal da outra, que não fomos convidados para aquela festa, que não temos um milhão de seguidores e o dinheiro para fazer uma cirurgia plástica a cada traço irrelevante que só nós notamos e todas as imperfeições e pressão que colocamos em nós todos os dias para que estes passem e possamos suspirar de alívio como quem correu uma maratona de encaixar aparências e pôr check no relatório de final de dia; no fundo, que não é preciso ir dormir de cabeça cheia e dar voltas e voltas à cama sobre o dia que vem e se vamos conquistar mais pessoas, mais coisas, numa ânsia de controlar o futuro e garantir que todos os dias estamos a trabalhar nas nossas relações, no nosso sucesso, na nossa aparência, quando podemos simplesmente viver a passos curtos e a ritmo próprio. Aí, deixei-me eu conquistar por Shanghai.

 

Desligo o VPN e, subitamente, o burburinho cala-se e sou só eu e a minha câmara.

 

Madalena Almeida

Aluna do 3.º ano da Licenciatura (atualmente em Erasmus em Macau)

 

24
Set19

Uma Aventura no Oriente

Jur.nal

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23 de agosto 2019

 

 

Nem sempre tudo o que fazemos muito em função das modas e bons testemunhos tem os seus alicerces nos mesmos motivos e, estranhamente ou não, os mesmos percursos podem levar-nos a absorver e carregar sentimentos muito diferentes.

 

Apesar de ter chegado a Macau há apenas uma semana, tenho compreendido algo que é tão senso comum, mas não tão fácil de captar: cada pessoa leva um programa de intercâmbio com um peso e leveza distintos e cada qual tem no seu subconsciente as verdadeiras razões por detrás disso, que sempre ultrapassam o querer enriquecer o currículo.

 

O sítio que escolhemos também acaba por dizer muito sobre os desafios e interesses que queremos encarar. Acabo por sentir que fazer um intercâmbio em Macau se tem revelado uma turbulência de emoções. Como disse acima, só passou uma semana, mas quando os dias são imprevisíveis, quando estamos a adaptar-nos ao outro, a um outro tão diferente de nós, a um lugar onde somos estranhos em sentido amplo, poucos dias sabem a muito; somos mais capazes todos os dias porque agora estamos por nossa conta. Começar do zero desta forma não se compara a qualquer experiência e deverá ser por isso que cedo nos é dito que é importante passar por isto, crescer.

 

5 de setembro 2019

 

Crescer.

 

20 dias passaram desde que cheguei aqui e o meu crescimento, autoconhecimento e capacidade de superação atingiram níveis que um par de anos não pareceu carregar.

 

Nas primeiras noites e manhãs tive frio. Foi um frio similar àquele frio de dormir com uma botija de água quente porque é mais confortável, o mesmo frio de ser verão e ficar no sofá com a manta só a cobrir os pés porque sim. É o frio do aconchego, da necessidade de privacidade, de ver todos os dias pessoas tão diferentes de mim e ainda assim ser eu A pessoa diferente, a estranha.

 

Não há um manual de instruções que nos ensine a pôr de parte certos estereótipos e preconceitos que nem sabíamos bem que tínhamos; que nos ensine o que se faz fora da bolha na qual vivemos: cá somos ninguém para toda a gente, não temos o nosso quarto, família e amigos, vivemos com um budget mais contado. Aterrámos aqui e o mecanismo de defesa é comparar tudo e todos com o que conhecemos e o que conhecemos é, na nossa cabeça, melhor. Mas só é melhor porque não é difícil e o difícil nisto vem da maneira como mexe com o ego e com inseguranças.

 

No fundo, há que aceitar que não vamos controlar 99,(9)% do nosso dia e das duas uma: ou embarcamos ou nos refugiamos no quarto à espera que um monte de desconhecidos batam à porta com o sonho de serem nossos amigos.

 

Vir estudar para Macau não é um tipo de intercâmbio do género «férias grandes» e a Universidade de Macau tem muito de similar à Nova, seja no método de avaliação, seja na proximidade professor-aluno. Uma grande diferença passa por um requisito de presenças obrigatórias a 80% das aulas, bem como um horário mais próximo do que chamamos de pós-laboral, o que, por um lado, permite ao estudante aproveitar todo o seu dia e, por outro, poder ainda fazer planos para a noite. Tem-se afigurado uma faculdade exigente e proporciona as equivalências necessárias para fazermos um semestre similar ao que faríamos na Nova.

 

Na minha ótica, essa rotina diária e seriedade conferem boas ferramentas de comparação entre o ensino português e o macaense, rodeiam-nos de portugueses que vivem e estudam cá – quer nascidos em Macau ou vindos de Portugal – e conseguimos atingir um certo tato e sensibilidade sobre como se vive aqui, o que não é certamente possível em todas as faculdades; nem há qualquer outra cultura em que vejamos um distanciamento tão grande e, ao mesmo tempo, a proximidade com Portugal.

 

Com isto, pretendo dar uma perspetiva transparente, sendo esse o lema que adoto sempre. Fazer um intercâmbio tem tanto de liberdade, de festa, surpresas, de um desapego saudável aos bens materiais, lugares e pessoas que nos acrescentam, como de uma quantidade de desafios iniciais que nos fazem questionar se isto é certo, se estamos a fazer o nosso melhor, que nos obrigam a saber gerir horários, gerir dinheiro, lidar com situações inesperadas, lidar com alguma solidão. Há um processo de normalização e abrir a mente desde o dia 1. E desde o dia 1, cresci. E todos os dias compreendo-me melhor, relativizo os meus medos e continuo a brotar.

 

Passam 20 dias e sou mais feliz por estar do outro lado do mundo a deixar-me contagiar pela beleza da diferença.

 

Madalena Almeida

Aluna do 3.º ano da Licenciatura (atualmente em Erasmus em Macau)

 

24
Fev19

Relatos de um semestre fora das saias da mãe #3

Jur.nal

Cá estamos de novo! Terminamos em beleza os testemunhos de Erasmus, com a "romana" Morgana Grácio.

Um texto muito bonito, obrigado pela partilha! 

 

𝐑𝐨𝐦𝐚, 𝐈𝐭á𝐥𝐢𝐚

Roma, la cità eterna.

Muito se diz que o Erasmus não é para nos encontrarmos como pessoas, mas para nos criarmos. Não sei se é verdade, não sei se me criei, mas alguma coisa aconteceu. De estranha-se a entranha-se, caí numa cidade velha e caótica e saí de uma cidade antiga e com personalidade peculiar. Não quer isto dizer que não me irritem os autocarros 40 minutos atrasados, ou o lixo no passeio. Mas com o tempo a vista começa a ser atraída a outros pormenores, a roupa a secar no meio dos prédios de tom alaranjado, a luz ao fim do dia, o sol por entre o Coliseu, a diversidade de cores dos gelados a cada passo...Mas que isto não engane ninguém, a cidade é um fator importante na experiência da mobilidade, mas acredito genuinamente que quem faz o Erasmus são as pessoas (entendo o cliché). Pessoas estas que quebraram e confirmaram estereótipos, tinha uma amiga alemã que chegava sempre atrasada, contrariamente à ideia de que alemão que se preze chega cinco minutos antes e um amigo espanhol que falava quatro línguas, não não tive que pôr em prática o "portunhol"! Não vou esquecer os italianos que me mostraram o que é ferver em pouca água e que se quero passar a rua tenho que me mandar de cabeça para a passadeira porque regras da estrada são opcionais. Descobri que ananás na pizza é pecado que só se perdoa com confissão no Vaticano. Foi aqui que aprendi que pizza pode ser pequeno-almoço e que cinco meses são suficientes para fazer amigos para não esquecer. De karaoke à Segunda feira a noites de cartas no Sábado, de vinho a cappuccino, de inglês a italiano, de irlandesas a alemães, vivi tudo e jurei continuar a fazê-lo. Não me conformar com o que tenho e arriscar sempre. Foi neste período de tempo que efetivamente percebi que o mundo apesar de ser tão grande parece ficar tão próximo quando simplesmente...vamos. E pronto, só me sobra dizer, obrigada Erasmus!

"A te che cambi tutti i giorni e resti sempre la stessa" (A ti que mudas todos os dias e te manténs sempre a mesma).

 

23
Fev19

Relatos de um semestre fora das saias da mãe #2

Jur.nal
Bom dia, boa tarde ou boa noite, dependendo da hora a que nos estejam a ler. Hoje temos duplo testemunho de Erasmus!
É a vez de dar voz ao André Andrade e ao Afonso Lima que, juntos, partiram à descoberta do Báltico.
 
𝐕𝐢𝐥𝐧𝐢𝐮𝐬, 𝐋𝐢𝐭𝐮𝐚̂𝐧𝐢𝐚
 
A.A. - A decisão de ir de Erasmus é partir numa aventura da qual não se sabe o que esperar e para a qual não nos sabemos verdadeiramente preparar. Para mim, foi o deixar a casa dos pais com comida e roupa lavada, para passar a ter de fazer por mim tudo aquilo que antes me era entregue de mão beijada. Claro que, para lá de tudo o que esta experiência me deu, fez-me valorizar a família que sempre esteve lá para ajudar e providenciar. Mas esta não foi a única mudança. Passámos de um país relativamente quente para o gelo característico do Báltico, passámos do cozido à portuguesa e do bacalhau para as comidas estranhas e não muito agradáveis, tradicionais na Lituânia. No entanto, como em quase todos os casos, a mudança tem também a sua parte boa! Erasmus deu-me a possibilidade de visitar países que nunca pensei vir a conhecer, mostrou-me bares incríveis dentro dos quais me senti em casa, e acima de tudo isto trouxe-me amizades que sei que ficarão comigo por muito tempo, devido a tudo aquilo que experienciámos juntos. Poderia escrever muito mais sobre aquilo que foi o meu Erasmus mas a verdade é que a escrita não fará jus aos 4 meses lá passados. Agradecer ao Afonso, por estares disposto a, de olhos completamente fechados, dares o passo em frente comigo nesta aventura.
 

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A.L. - É comum ouvir-se por aí que na fase de tomar uma decisão importante nas nossas vidas nunca surgirá o momento que reúna as perfeitas condições para tal, porém, há algo que é certo: romper pelo Erasmus fora vem sempre em boa hora na vida de um estudante universitário. A Lituânia, hoje, é mais do que um simples país perdido no Báltico que acrescentou valências ao meu percurso académico. Simboliza a amizade por quem no meu caminho se cruzou, o respirar de uma cultura sem igual e, acima de tudo, o sentimento de gratificação individual, pela audácia inicial de embarcar rumo ao desconhecido e pela confirmação, já no momento de chegada à Portela, de que não há palavra que agradeça à vida pela aventura presenteada. Vilnius será sempre a memória do bom viver.
 
Vilnius fica-nos mais perto. Obrigado pela partilha, rapazes!
22
Fev19

Relatos de um semestre fora das saias da mãe #1

Jur.nal

O prometido é devido! 
Deixamo-vos, hoje, com o testemunho da Inês Freitas sobre o seu Erasmus por terras belgas.

Haverá mais, durante o fim de semana. Fiquem atentos!

 

 

𝐔𝐧𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬𝐢𝐭𝐞𝐢𝐭 𝐇𝐚𝐬𝐬𝐞𝐥𝐭 - 𝐇𝐚𝐬𝐬𝐞𝐥𝐭, 𝐁é𝐥𝐠𝐢𝐜𝐚

O Erasmus foi uma experiência que eu não poderia ter tido de qualquer outra forma. Foi como se congelasse a vida a que estava habituada e tivesse a oportunidade de viver uma vida diferente durante uns meses. O único aspeto possivelmente negativo é que depois de ter uma vida diferente, de conhecer realidades diferentes, de fazer amigos de outras partes do mundo, parece que tudo o que tinha antes não chega. Vou ter sempre vontade de ver mais, de conhecer mais, de viver mais. Vou ter sempre vontade de ser a pessoa que era quando estava em Erasmus. É que o Erasmus é como um entusiasmo constante: há sempre algo novo para ver, há sempre um país ou uma cidade por perto para conhecer, há sempre tempo para estar com amigos e fazer memórias que sabemos que vão estar eternamente ligadas aos 5 ou 6 meses em que estivemos longe de casa - e nunca vi a ideia de estar longe de casa como algo negativo. Foi a primeira vez que saí de casa e, pessoalmente, não estava, de todo, assustada. Nervosa, talvez. Mas era mais entusiasmo do que outra coisa. Porque o Erasmus também foi uma oportunidade de me testar a mim própria. Eu queria saber como era viver sozinha, como era chegar a um país e não conhecer absolutamente nada nem ninguém, como era sentir-me afastada de tudo o que conhecia. E o mais bonito é olhar para trás e comparar o receio que tinha no início com a tristeza que senti quando me vim embora. No final de contas, eu posso dizer que conheço mais do que aquilo que tinha vivido até agora. Posso dizer que me aventurei para além daquilo que imaginava. Nunca tive nem nunca vou ter nada como o Erasmus. O facto de ter acabado vai sempre doer um bocadinho, mas não podia durar para sempre. O que tenho para sempre são as memórias e os sentimentos que trouxe. E, como uma amiga me disse, o facto de ser tão difícil dizer adeus só prova que valeu a pena.

 

Obrigado pela partilha, Inês!

21
Fev19

Churrasco de Receção aos alunos de Erasmus

Jur.nal
Hey! Hey! Hey!
 
Ontem houve churrasco de boas-vindas aos nossos colegas de Erasmus do novo semestre e o JUR.NAL esteve lá.
E com a maravilhosa ajuda do Departamento de Comunicação da AE, que nos permitiu o registo fotográfico dos primeiros momentos de entrosamento entre os nossos de sempre e os seus buddies de vários pontos do Globo! Apenas alguns, não quisemos chatear demasiado a Sara Pacheco. 
 
Os sorrisos não mentem: eles e elas sentem-se bem. Na Nova! 
 
P.S. Ainda sobre o tema Erasmus: percurso inverso fizeram, por exemplo, a Morgana Grácio, a Inês Freitas, o Afonso Lima e o André Andrade, no 1º semestre! O mundo ficou mais rico, os futuros juristas da Nova transpuseram as fronteiras lusas - e não foi para ir comprar caramelos a Badajoz! Fiquem atentos aos próximos posts, porque eles vão partilhar connosco em pequenos relatos os seus sentimentos acerca dos últimos meses!
 

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A Maria Sampaio e o Niklas Stodolski, da Alemanha! Não sabemos se é ele que é demasiado grande ou ela que é demasiado pequenina...

 

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A Morgana Grácio com a Federica Pat, da Itália e o Louis Glesener, do Luxemburgo! Duas caras lindas, e o Louis fala português. Portanto, também é lindo!

 

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A Sara Pacheco largou a câmara por uns segundos e posou com a Danielle Spier Martins, do Brasil!

 

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Olha a Sara outra vez, com a Teresa Machova, da República Checa! Não vai poder viver a Primavera de Praga!

 

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A Rufina Freitas com a Sabrina Pedrosa, do Brasil! 

 

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A Inês Freitas com o Daniel Schmitt, da Alemanha, e a Ana Carolina Prado, do Brasil! Em escadinha! 

 

Que aproveitem Portugal!

 

 

 

 

 

 

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