Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

JUR.NAL ONLINE

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

22
Ago20

Sexualidade Agressiva ou Agressão Sexualizada?

Jur.nal

post_10.png

 

Existem poucos pontos de comparação para a sensação causada pelas generalizações grosseiras que os homens fazem sobre a sexualidade feminina – unhas a arranhar um quadro de giz ou uma jante de metal a arrastar-se sob uma superfície de vidro são duas que me ocorrem, ambas pela mesma razão: são irritantes, desnecessárias e colocam-me imediatamente em estado de alerta. Foi o que aconteceu recentemente quando ouvi alguém a constatar que ‘a maioria das mulheres deseja secretamente ser magoada durante o sexo’ e que ‘existe um certo tom afrodisíaco em contrariá-la’. Pondo de parte aquilo que soa a uma desculpabilização de comportamentos sexualmente transgressores e, até certo ponto, uma defesa da violação, dei por mim a deliberar sobre o assunto e a questionar até que ponto é que essa sexualização da violência não é uma construção sociocultural que temos simplesmente vindo a aceitar acriticamente.

Desde a subtileza da literatura ao excesso da pornografia, a mulher é frequentemente retratada como um ser frágil, ingénuo e virginal, sempre ansiosa por ser dominada. No entanto, talvez a maior ofensa venha do cinema – não pelo meio em si, mas por ser aquele que tem o maior impacto cultural no nosso quotidiano. É pouco frequente ouvir discussões em escolas ou gabinetes acerca do último livro a chegar às prateleiras, e menos frequente ainda debates sobre o porno do momento. No entanto, filmes, séries, atores e realizadores discutem-se com frequência; discutem-se prémios e cerimónias e numa espécie de inversão de papéis com aquilo que anteriormente seria imediatamente classificado como o cromo dos filmes, é cada vez mais importante ter opiniões acerca dos filmes sob o risco de ser socialmente canibalizado. “Não viste o Joker?”, “Adorei a crítica aos ricos do Parasitas”, “O Marriage Story não representa bem o processo de divórcio”… As opiniões não têm de ser elaboradas ou consistentes ou contextualizadas adequadamente; não há problema nenhum que uma pessoa de 19 anos que nunca tenha namorado mais de 6 meses ou que tenha estado em contacto com qualquer tipo divórcio tenha fortíssimas opiniões acerca do mesmo; não há problema que esta pessoa seja ou não consciente das suas limitações perante determinadas temáticas – o importante é que ela tenha uma opinião.

Isto para dizer que o cinema importa e os seus efeitos na cultura são palpáveis, principalmente quando abordam a sexualidade. Ajudam a elaborar a ideia da mulher desejável e os seus padrões: as curvas, a cara, o cabelo, as ancas, o comportamento, a personalidade, a inteligência, o sentido de humor – a mulher sensual, a mulher que as outras invejam e que todos os homens cobiçam. Claro que o reverso também é válido relativamente a padrões altíssimos para os homens, mas esse não é o tema deste artigo.

São muitos os filmes que colocam inconscientemente a mulher numa posição de subserviência sexual e o facto dessa não ser a intenção do realizador mostra que se trata de reflexo de uma cultura que sexualiza a violência e não uma decisão artística consciente.  Retratada como excêntrica mas ingénua, Leeloo, protagonista do filme The Fifth Element, é excessivamente sexualizada apesar de ser completamente inocente relativamente à sua sexualidade. Apesar de ser adulta, é utilizada como objeto de admiração por parte do protagonista, e como objeto de gratificação da violência, sexualizada não só na sua indumentária, mas também nos seus movimentos de combate, pautados por piruetas e maioritariamente dependentes da exposição das suas pernas e rabo, algo que não acontece com os personagens masculinos.

Até nos clássicos, como é o caso da saga de James Bond, o macho alfa acaba sempre por dominar sexualmente a relação com um pouco de violência gratuita à mistura. Uma das cenas mais chocantes acontece em Goldfinger, onde uma cena de sexo, supostamente consensual (num estábulo, já agora), nos apresenta uma mulher a resistir aos avanços sexuais de Bond. Apesar da natureza forçada do seu encontro sexual, James Bond é considerado o herói e esta cena é glorificada e vista como sensual. Uma situação similar está presente em Blade Runner, só que recorrendo à violência para consumar um beijo e não a penetração.

Estes são o tipo de cenários em que o parecer coletivo é de que a mulher “está a fazer-se de difícil”, que funciona como uma espécie de apelo pervertido que nos diz “Convence-a”. Mas e se ela não quiser ser convencida? O que é que nos levou a crer que um “não” é sinónimo de “convence-me”? O que é que nos levou a crer que todos gostam de sexo agressivo e que a violência só traz uma intensidade positiva à relação?

É compreensível que ao fim de muito tempo a consumir este tipo de conteúdo acabemos por adequar as nossas expectativas nas relações a este padrão. No entanto, até que ponto é que esta construção social justifica determinados atos e comportamentos?

A Justiça portuguesa tem sido alvo de fortes críticas devido a certas decisões consideradas sexistas e misóginas terem feito rondas nos jornais. Vários colunistas, jornalistas e grupos activistas condenaram decisões judiciais pelo seu tom discriminatório e violento. Uma decisão muito popular e relativamente recente que gerou uma onda de indignação nacional e desencadeou manifestações em várias cidades foi a decisão do juiz Neto Moura que ficou apelidado como o “juiz das mulheres adúlteras”. Este senhor concluiu que uma traição justifica agressões extremamente violentas – em pratos limpos, a violência doméstica é válida sob determinadas circunstâncias. Lê-se nesse acórdão que “o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou (são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras), e por isso [a sociedade] vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher”. Um outro caso que esteve também na berra tratava uma violação, ocorrida uma discoteca, de uma rapariga por parte de dois homens, funcionários desse mesmo estabelecimento. A rapariga estava inconsciente e não pôde resistir. O tribunal decidiu que houve um ambiente de “sedução mútua” e que não existiu violência. Se até na justiça que nos rege as agressões são sexualizadas e as decisões são tomadas com base numa cultura que ainda acha que a mulher deve ser convencida, como é escapamos deste paradigma tóxico?

Segundo as estatísticas da APAV, entre 2013 e 2018 foram registados em Portugal 5.228 crimes sexuais, o que correspondeu a um aumento de 130% ao longo desses 6 anos. 92% dessas vítimas são mulheres e 75% são meninas entre os 11 e os 17 anos. Um momento, vamos ler novamente: 75% são meninas entre os 11 e os 17 anos. Peço desculpa, vamos rever: 0.75 x 5.228 = 3.921. Três mil novecentas e vinte e uma crianças abusadas sexualmente em cinco anos. Estamos a dizer que, em Portugal, em média, duas raparigas entre os 11 e os 17 anos são abusadas diariamente.

Pronto, podemos prosseguir – o que é que estes números representam? Representam a sexualização abusiva de menores? Ou representam, de uma forma mais rebuscada, a infantilização das mulheres por parte da cultura?

Definida pela sua inocência e inexperiência especialmente quando se trata de sexo ou romance, a mulher é também muitas vezes representada desta forma pelo cinema. Numa veia similar ao já mencionado The Fifth Element, o filme Tron: Legacy traz estas características novamente para as luzes da ribalta: estamos a falar de um corpo feminino já formado e maduro com a mente de uma criança ingénua. A personagem principal é descrita exatamente dessa forma: "Profoundly naive and unimaginably wise”. O que une todas estas personagens femininas é o facto de nenhuma delas ter consciência do seu sex appeal e, ainda assim, admirarem loucamente os heróis masculinos. Os heróis masculinos apaixonam-se pelas mulheres pela sua inocência e não apesar dela, o que acaba por representar uma constante obsessão pela superioridade, uma obsessão por exercer poder sobre uma menina inocente e desprotegida. Creio que instintivamente sabemos que há algo de errado com este tipo de dinâmica sexual – o subtexto praticamente pedófilo é algo demasiado profundo e repugnante para ignorar – e temos uma responsabilidade para com as mulheres, principalmente as mais suscetíveis de se encontrarem neste tipo de armadilhas (as mais novas): a de lhes explicar que estas ‘relações’ não são saudáveis e que as colocam numa posição de infantilização constante que as impede de amadurecer emocionalmente e sexualmente. Este tipo de situações não está confinado à cultura ocidental, sendo provavelmente o maior infrator o anime japonês, onde a prevalência de mentes de crianças em corpos de mulheres é algo comum a muitas séries ao ponto de já se ter tornado um ponto de referência cultural – vão a qualquer fórum da internet e inevitavelmente vão deparar-se com, entre outros, o termo waifu. Da mesma forma que os americanos dispõem de explosões, metralhadoras e bandeiras no seu cinema comercial, os japoneses utilizam vozes femininas infantis em personagens submissas dentro corpos completamente desproporcionais em diversas séries de anime – na verdade, não é raro encontrar discussões online sobre os méritos deste tipo de personagens, apelidados de lolis. Sim, lolis. De Lolikon. De Lolita. Exato.

É completamente possível que esta representação do sexo feminino se deva ao medo de perder a vantagem intelectual sob as mulheres e se trate de uma fantasia masculina para escapar à humilhação dos seus próprios defeitos. Filmes que representam a mulher desta forma são tipicamente filmes escritos por homens e para homens até porque normalmente o inverso não é representado da mesma forma. É raro que mulheres confiantes e determinadas se apaixonem e vejam como sensual a ingenuidade e falta de jeito de um homem; nestes casos, surge quase sempre um homem ainda mais confiante e ainda mais determinado pelo qual a mulher sente uma certa submissão e uma certa vontade de ser vulnerável. Existe, de facto, uma violência sexual subentendida nos media e é muito difícil abstrair-nos deste tipo de cultura por ser tão pervasiva e dar azo a debates e discussões em que as emoções acabam por tomar as rédeas.

É frequente associar violência sexual unicamente a violações, mas a verdade é que existem muitas outras formas de violência que abrangem todas as formas de contacto sexual indesejado – afinal de contas, o ser humano já pratica a violência há milhares de anos; seria chocante que esta não fosse um dos nossos maiores talentos enquanto espécie.  

Violência sexualizada é um termo vasto usado para descrever qualquer agressão, física ou psicológica, praticada por meios sexuais ou referindo-se à sexualidade, explícita ou implicitamente. A verdade é que vivemos numa época em que é difícil fazer sempre uma triagem de conteúdo e é ainda mais difícil fugir a um padrão que nos é imposto de forma inconsciente. Acima de tudo, é cansativo. É cansativo analisar todos os casos ponderadamente e com o tempo que eles merecem sob o risco de fazer julgamentos sumários sem dispor de todos os factos e ferramentas de análise, principalmente quando o planeta está a arder, a derreter, a afundar e a abarrotar simultaneamente. É difícil focarmo-nos nos padrões de discurso sexual, social, romântico, cultural, económico, político, tecnológico, moral, ético e filosófico e ainda sobrar tempo para comer e para dormir. Existem imensos estímulos aos quais temos que responder todos os dias. Ainda assim, devemos questionar-nos continuamente se os nossos comportamentos, ideais e expectativas dignificam não só os outros, mas também a nós próprios. Não podemos imediatamente assumir que se trata de uma sexualidade agressiva, quando é inteiramente possível que se trate de uma agressão sexualizada.

 

Ana Sofia Alcaide

Aluna do 2.º ano da Licenciatura

29
Mar20

Uncut Gems (2019) - Crime para Outra Geração

Jur.nal

uncut gems.jpg

Em Good Time (2017), Josh e Benny Safdie agradeceram especialmente a Martin Scorsese. O agradecimento é justíssimo – em Good Time ressoa, entre outras coisas, o pouco reconhecido After Hours (1985) – e o realizador regressou aos créditos do trabalho dos nova-iorquinos como produtor. Curiosamente, li há pouco tempo alguém que lembrava uma comparação do novo filme da dupla com Goodfellas (1990), o magnum opus de Scorsese, alegando que Uncut Gems seria para esta geração o que os bons rapazes foram para a sua. Arriscada como é, arrastando a força que, inevitavelmente, arrasta, talvez esta ideia diga muito sobre o que a última sensação dos irmãos Safdie significa para o cinema.


A internet já se encheu de imagens de Adam Sandler, de óculos escuros, os dentes grandes e branquíssimos, a legenda, This is me, this is how I win, pelo que não há muito que valha a pena dizer: está, sim, extraordinário; é, sim, uma atuação que reforça a força da transição da comédia para o drama – como com Jim Carrey ou Steve Carell; era, com certeza, performance para mais nomeações. Posto isto, Sandler é Howard Ratner, um negociador carismático, proprietário de uma loja de joias, que se envolve em vários negócios à volta de um novo e especial artigo: uma opala negra.


Neste circuito de negócios, Uncut Gems cansa. Propositadamente. A entrada no filme funciona como um salto de altitude, um mergulho na confusão sem a qual o mundo de Ratner não existiria. Trivial como possa parecer, este é um exercício particularmente difícil de executar: aos irmãos Safdie não interessava a suspensão da envolvência, ou o foco sobre determinado aspeto da ação, o que é estruturalmente constituinte do cinema com esta exposição. Uncut Gems é um filme lotado, é a cidade de Nova Iorque espremida na pequena loja de Howard Ratner, é a confusão de um homem soterrado pela rede de negócios que montou. A câmara flutua freneticamente ou amplia progressivamente, as luzes são saturadas, as cores dão uma dimensão de artificial àquela realidade, aquele mundo. E é justamente isso que isto é: é o dinheiro que vai e vem, as trocas desmesuradas, as apostas irreais, é um fugazi, é o poder de uma joia.


Essa dimensão de artificialidade é constante ao longo do filme e os irmãos Safdie trabalham-na primorosamente: na sua construção e na sua destruição. Uncut Gems é um cinema frenético, de sobreposição, de confusão, que cria, que gera, que cresce e que, finalmente, derrama. E derrama com estrondo e com estilo: para isto muito ajuda a fotografia do eclético Darius Khondji, numa aproximação (diria que melhorada) ao estilo visual do Good Time. Na verdade, a fotografia da longa é prodigiosa na configuração do ambiente. No que ao peso do filme concerne, por ser tão meândrico, tão enleado, tão convulso, Uncut Gems torna-se claustrofóbico; e, para isso, não servem apenas as vozes que se sobrepõem constantemente, os diálogos que se perdem na multidão ou as portas defeituosas – a câmara sabe sempre onde estar, de que forma se mexer, quando e como aproveitar o desfoque. Seja na forma como capta o posicionamento de Howard nas massas nova-iorquinas, no toque quase documental, no aproveitamento do espaço ou, e isto vale a pena ser frisado, na extraordinária última cena (e num plano particularmente bom).

Evidentemente, o protagonismo de Sandler não é aleatório. Uncut Gems funciona como um estudo de personagem, inserido num meio que lhe é, em medidas avulsas, ao mesmo tempo conhecido e estranho, a que pertence e não pertence, que o aceita e o parece querer expulsar. A atmosfera ilusória que os irmãos Safdie criam, atraídos pelo errado, pela mentira, pelo transcendental – os zoom-in que falam do passado, da origem, da essência -, é  o próprio interior das personagens, profundamente americanas, perfeitamente mediadas pelo meio. Tudo funciona, porque tudo está na mesma página, do mesmo lado: o trabalho de câmara, a fotografia, as luzes dispersas são tão psicológicos e tão psicologizantes como o diálogo, o olhar, a postura; são tão criadores de atmosfera como a música ou o silêncio e tão essenciais para o que o filme significa como Howard é para a opala e a opala para Kevin Garnett. Como um ciclo de significados, como um interior acessível por uma objetiva, e como um exterior inquieto, turbulento, opaco. As personagens dos irmãos Safdie não são só consequências dos seus ambientes, são o próprio ambiente, são as histórias com que cresceram e que tiveram acesso. Por isso são tão reais, tão pesadas; por isso a aproximação ao visual do documentário. São personagens imperfeitas, que existem ali, naquele mundo ilusório, destrutivo, imparável; homens repartidos como o reflexo de um corpo morto num espelho dividido em vários.

Uncut Gems é isso: é frenético, é tenso, é claustrofóbico. O efeito que produz no espectador é do mesmo espírito do slogan do anterior filme dos realizadores, que perguntava are you ready to have a good time? Aqui, as regras da longa-metragem de 2017 crescem, como que sob o efeito de uma levedura, não necessariamente em termos de dimensão, mas de amadurecimento, de qualidade. Uncut Gems é menos sobre a sua história – embora seja uma bela história – e sobre o seu guião – embora esteja muito bem escrito -, do que é sobre ritmo, criação de ambiente, desenvolvimento de tensão. E não há nada de errado nisto: é uma experiência válida, é um good time, é uma forma de ser de uma geração que quer contar outras histórias, de outras formas. E há algo fascinante na forma de contar histórias destes dois irmãos: talvez a sedução da confusão, da saturação, de outros e novos perigos. O facto é que o que Goodfellas fez pelas narrativas de crime dos anos 80 e 90, Uncut Gems poderá fazer pelas de hoje. O tempo das histórias dos gangsters do Scorsese, da máfia do Coppola ou dos assaltos do Mann, ainda que inqualificáveis e, inevitavelmente, insubstituíveis, já não ressoa na geração do hip-hop, das redes sociais, do The Weeknd. Não é que não possam fazer nada por ela; é que há algo de espiritual no cinema de cada geração que, por mais recuperável que possa ser, na lembrança, no Criterion Collection, nos ciclos, nasce e morre nessa geração. Os bons rapazes vivem até hoje e viverão muito mais, mas esta já não é a geração dos molhos de tomate com alho cortado com lâminas de barbear ou do Somewhere Beyond The Sea; é uma geração profundamente diferente – convalescente, frenética, imediata, onde o crime, os protagonistas e o seu espírito são outros.

 

Francisco Fernandes

(Aluno do 2º ano da licenciatura em Ciências da Comunicação, na FCSH)

Nós

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Powered by