Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

JUR.NAL ONLINE

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

24
Nov19

God Delusion

Jur.nal

O problema sem fim da existência de Deus e a minha inconformidade e incompreensão na fé cega que os homens têm na inexistência “D”ele.

 

 

Realmente, quem é que acredita em Deus? O ser humano, aliás, o ser humano que não pensa, ou o ser humano que pensa demasiado e acaba por ser esmagado pela insignificância, pela absurdez ou pelo horror do Mundo, sendo assim obrigado a acreditar em Deus. Isto é como os bifes, há bem-passado e mal-passado, bem-pensado e mal-pensado. O melhor é ficar no médio, ou no médio-mal. Porque quem olha para as coisas, com olhos de ver, apercebe-se de que não consegue aperceber-se de nada, isto é, exceto que a fé em algo maior não passa de um cope por ter medo de tudo o que não compreende, e que “Deus”, seja lá o que for, não passa de uma resposta predefinida a todas as grandes questões da Humanidade. Essas são as duas verdades absolutas da nossa existência. Bem, essas e que nada pode ser irracional, porque se há uma coisa que todos os grandes filósofos, pensadores e cientistas concordam sobre a nossa existência é que esta é puramente racional e explicada por factos. Portanto, arrogantes são aqueles que as contrariam, e humildes são os que as aceitam. Arrogantes são os apóstolos que se ajoelharam no momento que viram Cristo ressuscitado, humilde é Tomé, que só acredita no que vê. Arrogantes são os que preferem acreditar no mistério de Deus, numa força que admitem não compreender, mas que tentou ao máximo simplificar as coisas ao descer à Terra, e humildes são os que preferem assumir que tudo ou já foi descoberto ou estará por descobrir, e que na sua humildade chamam os crentes de arrogantes por recusarem a acreditar nas suas crenças, e bem.

 

E mal, claro. Não estou aqui para justificar a existência de Deus, nem para explicar o que é a fé. Cada um tem um caminho para a crença, ou para a descrença, e há que respeitar isso. O que é, no entanto, inaceitável, é acusar os outros de serem sabichões ao ser sabichão/sabichona. O argumento que encontramos aqui é simples, embora enganador. Quem acredita em Deus utiliza Deus para explicar tudo, exceto a própria existência de Deus. Aqui deparamo-nos com a clássica irracionalidade do crente, o ponto fulcral do texto. Digo clássica quando na realidade deveria dizer moderna, este tipo de crítica só começou a surgir, historicamente, no século XIX, tanto que antes o Racionalismo era identificado com autores bastante religiosos, sendo o Catolicismo (a religião com a qual tenho mais familiaridade e, por isso, menos problema em levantar) visto como “demasiado racional”. Aliás, podemos dizer que a teologia clássica de autores como São Tomás de Aquino era puramente racional, pretendendo sistematizar o conteúdo da revelação divina, da preambula fidei, de uma forma efetivamente compatível com a razão. Ora, o nosso amigo/a anónimo/a cai na simples contradição de assumir verdades absolutas embora incompreensíveis ao promover o que parece ser ou niilismo ou positivismo/cientismo. Uma contradição que roça na hipocrisia, diria eu. Deus é misterioso, como quem vai à missa saberá. Quem acredita em Deus aceita que não terá todas as respostas e que não conhecerá as formas com que Deus age. No entanto, dá esse salto de fé, de olhos vendados, e dá-o com confiança e alegria. Quem não acredita, irá acreditar em n outras coisas, sem as compreender também. É assim a vida. Se nem no Direito o positivismo-formalismo serve, quanto mais na vida? Ou vai me dizer que consegue explicar tudo o que vê? Ao detalhe, de forma puramente racional e empírica? Muitos já tentaram, muitos já falharam. Parece uma atitude meio arrogante. Outra opção seria não acreditar em nada, mas nem vale a pena levantar essa hipótese tendo em conta que todos acreditam em algo, mesmo se for algo mínimo que nem reparam. Citando uma frase que gosto muito de citar, de David Foster Wallace: Because here's something else that's weird but true, in the day-to day trenches of adult life, there is actually no such thing as atheism. There is no such thing as not worshipping. Everybody worships. The only choice we get is what to worship”. Espero que o absurdismo acabe por ser a posição adotada pelo texto, embora não seja claro, porque mesmo sendo mais preguiçosa sempre é mais honesta. Posto isto, será o homem mais parvo do mundo crente? Se calhar, mas até Gil Vicente dizia que esses mereciam salvação. Agora, quem está no curso de Direito, não tem mais que poucos anos de idade e acha que sabe o que está certo e errado num mundo que admite não compreender? Na melhor das hipóteses, acha-se bom e, nas piores, é hipócrita, ou iludido. Só sei que nada sei, e que prefiro estar do lado dos "parvos" do que dos intelectualmente desonestos. 

 

20
Nov19

God Complex

Jur.nal

O problema sem fim da existência de Deus e a minha inconformidade e incompreensão na fé cega e desmedida que os Homens têm “N”ele.

 

 

O ser humano, enquanto ser pensador e consciente, tem uma necessidade sôfrega de saber tudo e pensa-se merecedor de todo esse conhecimento. No entanto, e felizmente, a realidade que vivemos não nos permite obter respostas para a maioria das perguntas que nos traspassam ao longo de uma vida, por si só finita. Como seria expectável, o Homem não se contenta com o não saber, não se contenta com o inexplicável e sente medo do desconhecido, sente receio de tudo aquilo que não vê e não compreende; reside aqui, para mim, a maior contradição e irracionalidade na fé em Deus.


Numa tentativa de supressão desse medo e desse receio e com o objetivo de viver uma vida com uma consciência mais tranquila, despreocupada e desresponssabilizada, o ser humano recorre a uma identidade metafísica divina - Deus - que, através de mecanismos que transcendem a capacidade e o entendimento humano, “responde” a várias questões pendentes, exceto à própria questão, Deus.


A contradição: o Homem procura respostas para aquilo que não conhece recorrendo a algo que não tem uma explicação plausível por si só, ou seja, procura o saber e a verdade absoluta numa “coisa” que também não consegue compreender, explicar ou provar empiricamente.


Tudo aquilo que achamos saber é limitado pela única perspetiva que temos. Vivemos numa cápsula e receamos o inexplicável, no entanto recorremos a Deus para nos retirar da cápsula da qual temos medo de sair, efetivamente.

 

22
Out19

Anónimos #10

Jur.nal

imagem anonimo 10.jpg

 

Nada. É o que eu sinto ao olhar nos olhos de quem me passa à frente.

Vazio. É aquilo que me consome a alma, que aos poucos deixa o meu corpo.

Zero. É o esforço que sinto da tua parte para me tentares acalmar estes pensamentos que só me levam à destruição.

Há quem diga que o amor basta para fazer andar uma relação. Eu nunca fui muito de concordar com essa opinião.

É suposto eu conformar-me com o facto de estarmos no mesmo patamar em que isto começou?

É suposto eu dar o litro sem cair, sem estremecer, por uma carruagem que nem andou?

Não consigo. Não sou capaz. Nunca fui de me sentar à espera, a ver se o tempo traz solução a uma situação que já vem de trás.

Posso falar em códigos, às vezes - alguns difíceis de decifrar. Mas noutras vezes sou bastante explícita e cuidadosa nas palavras que escolho proferir. Se não percebes, é porque realmente para ti nada está mal. Se assim é, isto não pode continuar.

Eu tentei. Acredita em mim quando digo que tentei. Tu sabes que tentei. É por isso que saio pela porta de consciência tranquila: eu fiz tudo o que pude por nós.

Lamento. E adeus.

 

24
Jun19

Anónimos #9

Jur.nal

 

O conceito de autobiografia é ridículo

A autoexibição grandiosa de momentos descomplicados

Polvilhada com um sarcástico demonstrar dos amores

Porquê sempre os amores?

Como se a vida a nada mais se resumisse senão a esse tal contacto efémero

Efémero real, longevidade conceito desconhecido ao povo

Então reúnem-se à volta de páginas fictícias

Esperando uma história autêntica

Num constante estado voyeurista

Que nada mais demonstra senão a podridão

Ai raça humana, o que fizestes de ti mesma...

O que fizestes de mim...

Corrompes as vidas antes de elas sequer terem uma chance

 

11
Jun19

Anónimos #8

Jur.nal

 

 

Quero abrandar o tempo

Quanto mais rápido envelhecer

Mais rápido terei um corpo estranho a mim mesma

Um corpo que nunca terás tocado

Um corpo que será a materialização de nada que importou

Como pode um ser consumir outro sem lhe tocar

O toque é somente físico

Nunca foi algo mais

O maior erro humano foi dar significado a algo tão efémero

Algo que mude e que arruíne

Não há mais nada depois

É um antes e um depois

A demonstração clássica da ausência futura

Futuro contaminado pelas barbáricas farsas

Como uma má encenação que aplaudimos por não conhecer melhor

01
Jun19

Anónimos #7

Jur.nal

01-06.jpg

 

Há muito que já não escrevo.

Também já há muito que não sinto o que sentia ao escrever. Hoje todos escrevem e poucos consomem.

Hoje todos escrevem o que lhes apetece, deixando de dar valor àquilo que as palavras verdadeiramente fornecem a um bom leitor. É rara a pessoa que sente o que escreve e hoje já nem eu o sinto.

Por tantos textos que por aqui passam, tenho medo que o meu seja só mais um - claro que não é, mas vocês lá o sabem.

Os poucos que leem leem mal, pois leem com olhos de quem já só escreve.

Que a mão caia aos falsos poetas.

A mim já caiu a vontade e a capacidade para entender o que por aí escrevem “banalmente” semana a semana.

27
Mai19

Anónimos #6

Jur.nal

Uma linha desnecessariamente necessária  

Escrevo por ela não me poder dar o que compus  

Passados desordenados 

Futuros inaptos 

Talvez me tenha tornado inevitavelmente sentimental 

Por não querer que destruas todas as passagens temporárias 

Foi por tão pouco que perdia o comboio  

Sobrando palavras por dizer 

Palavras perdidas em tempos fantasiosos  

No escuro ainda esbarro naqueles versos que não soubeste declamar 

O mais fácil desprezado... 

Esperarei por ti à beira do comboio 

Basta olhares e pernoito  

Um gesto simples inconcebível por duas almas moribundas  

Digo-te por fim que 

Desta vez espero eu que percas o comboio. 

14
Mai19

Anónimos #5

Jur.nal

bce7c2f9-4395-4d77-b4e8-341a405294b6.jpg

 

 

Estava no comboio quando vi uma senhora de chinelos e me deparei com uma questão. Porque é que usamos sapatos? Para proteger os pés? Para ter um maior conforto a andar? Para escondê-los? Mas escondê-los de quê? Devemos ter vergonha dos nossos pés?


Eu realmente tenho, mas isso sou eu, que os acho uma das partes mais horripilantes do meu corpo. São estranhos e totalmente anormais, parecem batatas. Mas não é por eu querer esconder os meus pés que os outros também têm de o fazer. E se realmente não o fizerem, eu não tenho de os julgar por isso.


Eu, realmente, penso: “Porque é que as pessoas usam chinelos? Expõem tanto os pés!”, mas quem tem o problema com a exposição sou eu, não eles.

 

Eu olhava para aquela senhora no comboio e só pensava que sou incapaz de usar chinelos em público, exceto se o panorama circunstancial enquadrar uma praia. Digo, desde já, que eu não vou à praia.


Sinceramente, tenho uma certa aversão a olhar para os pés dos outros. Especialmente quando se trata daqueles pedúnculos com unhas totalmente maltratadas e nada apelativas à vista. Novamente, não são as minhas e não tenho nada que julgar as unhas dos outros, mas não deixa de ser desagradável.

 

Adidas, por favor para de fazer chinelos de último modelo para as pessoas terem ainda mais vontade de andar de pata ao léu no meio da rua. Não vamos criar mais modas pedicuriais (espero que gostem da minha nova palavra)! E apesar de andar de meias e chinelos for uma boa maneira de tapar o pé... não é bonito. There! I said it!

 

Ah pés... como eu vos detesto. Porque é que eu nasci com coisas chatas no fundo das pernas? Podiam-me ter calhado aqueles pés bonitos, que vamos nas revistas dedicadas a tal efeito. Dessa forma até teria onde fazer dinheiro, bastava pintar as unhas. Mas os meus genes assim quiseram e eu nasci com pés assim. Ao menos tenho sobre o que escrever, caso contrário este texto não estaria aqui.

07
Mai19

Anónimos #4

Jur.nal

 

 

Olá, já não falávamos há algum tempo. Não posso dizer que não tive saudades, estaria claramente a mentir. Caramba, eu morri de saudades tuas!


A certa altura talvez me tenha esquecido do motivo pela qual deixámos de trocar palavras, mas são águas passadas, já lá vão, e a maré empurrou-te de novo na minha direção. Lembra-me de agradecer à Lua por ter olhado por mim e percebido que, sem ti, não estava bem.


A vela iluminou-se no meu frasquinho uma vez mais e o seu calor aquece-me a alma e deixa-me tranquila. Já não me sentia assim há tanto tempo... Já não me sentia assim desde que partiste da minha vida.


Na realidade, a única pessoa a quem tenho de agradecer é a ti, por teres cedido e deixado o orgulho de parte para me falares, eu acho que não teria tido essa coragem, pelo menos não por enquanto. Achas que podes permanecer na minha vida por mais tempo desta vez?


Já não falávamos há algum tempo. Mas agora os nossos caminhos voltaram a cruzar-se e eu não podia estar mais feliz.

23
Abr19

Anónimos #3

Jur.nal

 

 

A minha respiração acelera e o meu coração começa a palpitar cada vez mais forte. Sinto que vou enlouquecer. Sinto-me desnorteada.

 

Frustra-me que as pessoas mexam nas minhas coisas. Tenho o problema grave de me apegar demasiado a tudo o que é meu e fico com um stress exageradamente grande quando me as levam e eu não sei se as volto a ver.

 

O pior é mesmo mexerem nas coisas e levarem sem pedir. Eu não fico chateada por ficar com menos uma bolacha no pacote, por mim podem ficar com todas! Só desejava que me pedissem primeiro antes de abrirem o pacote, pois ele até pode não ser para mim! E depois disso parem de me tentar fazer pensar que o problema está em eu ser egoísta e que me devolvem o raio da bolacha que me tiraram. Não! O problema não está aí! Eu quero lá saber da bolacha e não me interessa que me comprem dez pacotes a seguir! Compreendam isto! Está no vosso gesto! Será pedir muito que me avisem que vão tirar algo? Especialmente se for algo que não volta para mim? Se me levas a garrafa de água, mesmo após eu ter dito que podias beber, não é justo saber porque é que ela vai contigo e não fica ao pé de mim depois de teres bebido quase tudo e já não sobrar nada? Porque, desculpem a minha ignorância, mas não percebo que uso se faz de uma garrafa de água que não tem água. E sim, apeguei-me a esta garrafa de água porque a comprei num sítio especial e só lá consigo arranjar estas garrafas. Custaria-me um pouco perder algo de um lugar onde só volto daqui a meses - isto se voltar.

 

Peço desculpa se estou a exagerar, mas eu sou assim! É um problema que tenho, é verdade, mas a ansiedade fala mais alto e eu até me sinto mal disposta com estas coisas.

 

Querem saber o que uma pessoa com uma obsessão destas sente? É tão simples (que de simples não tem nada) quanto isto: peguem na minha caneta para desenhar ou algo do género sem me pedir, mas sempre à minha frente, e eu perco a minha concentração toda no que estava a fazer, quer seja uma reunião, um trabalho ou até ver uma série. Queriam a minha atenção? Parabéns, conseguiram-na. E vão tê-la até me dizerem que me tiraram a caneta ou até me a devolverem. Comeram uma bolacha do meu pacote que estava fechado, sem eu ver e sem me pedirem? Agora, por mim, até podem comê-las todas, porque a minha garganta acabou de secar e ganhar um nó e eu perdi qualquer apetite que se fizesse sentir no meu estômago. Ainda melhor, eu só descobri mais tarde, por mim mesma, que o tinham feito porque vocês não tiveram a decência de me dar o toque “olha, abri o teu pacote e tirei uma bolacha”? Podem ter a certeza que o meu dia já ficou totalmente estragado, porque não vai haver mais nada a envolver-me a mente do que a angústia que estou a sentir pelo que acabou de acontecer.

 

Por último! Se me levam a garrafa para fora da minha vista, ao menos forneçam-me uma explicação para o seu uso, visto que a minha ignorância só me irá causar uma dor de cabeça de tanto pensar no porquê de não ter a minha garrafa comigo, já para não falar da má-disposição que se começa a criar no meu interior por já começar a criar cenários possíveis para nunca mais voltar a ver o raio da garrafa. Só para perceberem o quanto isto me afeta, por vezes até parece que sinto um aperto enorme no coração e que estou a ter um enfarte, ridículo não é? E por favor parem de me acusar de exagerar quanto à situação. Surpresa, surpresa: não ajuda! Eu sei que exagero, tenho perfeita noção disso, mas não acham que isso só me faz sentir pior por não conseguir relativizar as coisas? Desculpa lá Maria se eu não consigo ser despereocupada como tu. Acredita, já tentei!


Eu só peço que me perguntem primeiro se podem levar algo ou, se não o fizerem, que mais tarde me digam e que não esperem que seja eu a descobrir que o fizeram; para além disso, por favor expliquem o porquê de me levarem algo, para eu ao menos poder ficar um pouco mais descansada sobre o local onde as minhas coisas queridas estão.


Também não me agrada viver com este tipo de ansiedade e problema, mas, sinceramente, já tentei mudar e não consigo. E a questão é: será que estou assim tão errada na vida por ser assim e não conseguir mudar?

Nós

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Powered by