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JUR.NAL ONLINE

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

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15
Abr19

Poesia #4

Jur.nal

Imagem andré neves 15-04.jpg

 

Não conheço nada nem ninguém,

(Conheço ideias que das coisas concebo).

 

Não poderá para mim alguém algo ser

Que para além da minha compreensão esteja,

Tal como não poderei eu para outrem ser algo

Que para lá se encontre do que tal mente projeta.

Nada intrinsecamente sou e o que para mim os outros são

De uma imagem por certo jamais dia algum passará.

 

O amor não mais se me afigura do que um sentimento

Nascido de uma representação mental,

Representação essa que não raras vezes disforme se torna

Aquando o primeiro sopro de um vento não endereçado,

(Tal como todos os sentimentos).

 

O que para o que sinto releva não é a mudança nos entes

Mas a mudança na imagem que deles tenho,

(Quem diz entes diz ideais).

 

Sou eu tantas coisas que coisa alguma sou

Que existência em si mesma tenha,

Perguntem a dez entes que comigo convivam

E nenhum deles semelhante representação de mim terá,

Seja ou não a minha conduta idêntica para com estes

Irão eles idealizar-me de acordo com a sua própria natureza,

Serei eu portanto dez sujeitos diferentes

Que parecenças poucas entre si terão.

 

Será a figura que de mim concebo a verdadeira?

A verdade e a mentira precisam de algo identificável

Para que se possam uma à outra sobrepor,

Como possível me não é conceber algo que não abstrato seja

Imerso me encontro num labirinto de paredes escritas,

De paredes escritas com palavras que significam

Exatamente o que lhes imprima a minha atual índole – ou seja o eu de hoje,

(Eu que nada sou para além de representações),

(Eu que amanhã diferentemente de hoje por mim próprio concebido serei).

 

A realidade das coisas não está nelas mesmas nem em coisa alguma

Porque as ideias que dela concebo para além do abstrato não vão,

Vivo num mundo das ideias – eu que sou uma ideia incerta que de mim conjeturo

(Como sou outras tantas ideias voláteis por voláteis ideias outras concebidas).

 

Não sou nada para além disto nem nada ou ninguém

Para além do mesmo do que sou eu é,

As coisas não têm existência em si mesmo

E de outras coisas precisam para coisa alguma ser,

(O mesmo sucedendo com coisas outras essas).

 

O meu mundo de ideias não passa – sendo ele próprio uma ideia

Por milhentas ideias diferentes diferentemente concebida.

 

André Neves

 

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