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Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

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11
Nov19

Parasite

Jur.nal

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Parasite (Gisaengchung / 기생충) – Coreia do Sul, 2019

Direção: Bong Joon Ho

Guião: Bong Joon Ho, Jin Won Han

Elenco: Kang-ho Song, Sun-kyun Lee, Yeo-jeong Jo, Woo-sik Choi, Hye-jin Jang, So-dam Park, Kang Echae, Jeong Esuz, Andreas Fronk, Hyun-jun Jung, Ik-han Jung, Ji-so Jung, Jeong-eun Lee, Ji-hye Lee, Joo-hyung Lee, Hyo-shin Pak, JaeWook Park, Keun-rok Park, Myeong-hoon Park, Seo-joon Park

Duração: 132 min.

 

Num ano repleto de obras-primas cinematográficas, de entre as quais podemos destacar Joker (dirigido por Todd Phillips) e Midsmommar (dirigido por Ari Aster), eis que surge o filme mais ousado de Bong Joon Ho – Parasite. Muitos poderão conhecê-lo pelo filme Snowpiercer, baseado no romance gráfico Le Transperceneige, ou até de Okja, mas atrevo-me a dizer que Parasite é talvez “o filme” da sua carreira, tendo sido galardoado com a Palma de Ouro no festival de Cannes deste ano.

 

As obras de Bong Joon Ho exibem traços de crítica e sátira sociais, imbuídas por um tom cómico, com alguns cenários de violência, que demonstram o domínio do meio social na construção dos comportamentos e vivências das personagens. O filme Parasite não é exceção e constitui um grande exemplo dessas características.

 

Parasite possui uma narrativa bastante cativante, repleta de surpresas – das gargalhadas ao incómodo, é um filme que inquieta o público, mas que transmite uma mensagem bastante profunda sobre as discrepâncias sociais, concretamente na Coreia do Sul, contudo, é uma mensagem bastante abrangente que se pode aplicar a qualquer tipo de sociedade.

 

O filme retrata o quotidiano de uma família pobre, apresentando a perspetiva daqueles que sobrevivem numa sociedade que apresenta cada vez mais desigualdades. Estes “parasitas” – forma como são considerados pelos membros das classes mais elevadas - fantasiam com vidas envoltas em luxo, aspeto que analisado ao pormenor revela um profundo desejo de alguma segurança social e financeira. A família de Ki Woo (família pobre que protagoniza o filme) vive numa cave minúscula, sem quaisquer condições ou segurança, tendo inclusive de roubar a wifi dos vizinhos – confesso que soltei uma longa gargalhada enquanto assistia ao filme, por causa deste anedótico pormenor.

 

Inicialmente conseguimos perceber que todos os membros da família se encontram desempregados, vivendo tempos muito difíceis, e ganhando algum dinheiro a dobrar caixas de pizza. Entretanto surge a oportunidade de Ki woo dar aulas particulares de inglês a Da-hye, filha mais velha da família Park (família esta bastante abastada). À medida que o filme avança surge uma problemática muito pouco conhecida – a pobreza na periferia das grandes cidades da Coreia do Sul, engrossando o abismo social. É possível verificar o contraste entre os espaços físicos: por um lado temos a cave onde mora a família de ki woo, composta por quatro membros e, por outro, temos a casa da família Park, uma casa majestosa, demasiado grande para a família Park. Esta discrepância entre espaços físicos é intensificada pelos tons de lente utilizados em cada cena: enquanto que na zona de residência da família mais pobre são utilizados tons mais escuros, que transpõem um enorme negativismo, e gerando alguma repulsa no público, nas cenas em que surge a moradia da família mais rica são utilizados tons muito mais claros, com muita luz, sendo este o ambiente mais agradável presente no filme.

 

Como não pretendo “arruinar” com spoilers a eventual experiência dos leitores, abstenho-me de prolongar a minha exposição sobre Parasite. Resta-me dizer que este é, de facto, um dos melhores filmes de 2019, difícil de classificar em termos de género, com um enredo nada expectável e um final que deixa alguma abertura para o surgimento de teorias (e quem sabe, uma possível continuação).

 

Ana Machado

(Aluna de Mestrado em Forense e Arbitragem) 

 

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