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Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

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29
Abr21

Carta De Arrependimento

Jur.nal

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Fotografia pelo Autor

 

Querida!

A ti escrevo - que tens tantos nomes - esperando que, te encontres bem claro, e que ao leres esta carta, que te chega via postal, possas sentir, como a chuva a cair-te na cabeça, como as lágrimas que te posso ter feito chorar a cair pelo rosto, o arrependimento com que escrevo. Tu que provavelmente choraste longe de mim para não mostrares parte fraca. Tu que choraste à minha frente com a dor, raiva ou nervosismo, muito mais do que pela tristeza mas também por ela.
Envio isto porque não te tratei bem...
Assentei as ideias e tem coisas pelas quais não me orgulho muito. Merecias mais, mais atitude e respeito, mais consideração e, acima de tudo, mais Amor. Em retrospectiva, eu nem fui muito mau, há tantos piores que eu, mas de certa forma, tomei-te como garantida para depois ficar com alguma angústia por tu ires embora, e das vezes que eu fui embora. Se calhar sou fraco. Fraco Homem que não te soube tratar como Mulher!
Eu poderia dizer que sou muito ocupado e por essa razão só à noite ambicionei a tua companhia, mas isso seriam maioritariamente merdas , balelas da boca para fora. Ou que quis muito ter mais, e quis, quando faltava um tal toque do Cupido, ou qualquer deus de amor de mitologias antigas ou das recentes. Talvez será preciso que inventem um deus para aquilo que sinto, inventem uma nova religião só para mim. Poderá ser que tudo isso justifique as acções conscientes de quem as praticou a pensar que só isso poderia fazer.
Quero que saibas que fiz esforços, nunca foi em vão que quis a tua companhia e nunca foi em vão querer o teu toque pois sempre sentia uma réstia de carinho. Sempre senti que tu, de alguma forma, me davas algo que me completava, nem que fosse momentâneo. Mesmo que eu fosse muito para ti sem ser correspondido, e te magoei com isso, quero que saibas que te agradeço. Acrescentas-te algo em mim, o que quer que isso tenha sido.
Desculpa-me a frieza das acções e principalmente das palavras. Não te as sei explicar... Não quis ser frio mas não posso controlar os sentimentos que tenho pelas pessoas. Já te disse que, em tantas, cheguei a querer ser mais. Se calhar é mais fácil manipular os sentimentos que os outros sentem por nós, mas se há algo que sei que nunca fui contigo foi ser mentiroso. Sempre te disse a verdade, nua e crua contigo vestida ou nua. Nunca tentei nem inconscientemente te manipulei, é a única coisa que não me podes atirar à cara. De resto chama-me o que quiseres e eu só te poderei pedir desculpa.
À minha maneira gostei de ti, e se calhar até amei. Não um amor convencional, se é que existe tal coisa. O melhor Amor até é o que não é convencional, e o nosso não o foi, mas procuro algo que não o seja mas nele vá buscar as bases e os clichés dos quais não dá para fugir. Tudo o resto eu fujo porque quero aquele Amor que não é igual a mais nenhum. Não aquele amor de "chuchus" e de "cháchás". Que seja amar não daqui até à Lua mas que não se meça , aquele Amor que não está nas entre-linhas por que nem foi escrito, aquele Amor de loucura que não há, aquele Amor de Arte que não pode ser representado. Procuro aquele Amor que já nem seja o de "Romeu e Julieta" nem do "Diário da nossa Paixão". Alguém a quem dar a conhecer o mais íntimo, toda a escritura negra e mostrar a minha alma negra. Procuro aquele Amor! A Arte de Amar com Arte sem que se veja. Ser o "A" do abecedário mas que venha depois do "Z".  Até lá não tenho Amor para dar a não ser só amar com amor que se tem pelos outros.
Arrependo-me de todos os erros que contigo cometi, os conscientes e os inconscientes. Arrependo-me de não te amar porque não o soube, não o consegui e o que não quis. Tu vales mais e valorizas-te, eu sei que sim, mesmo que eu não o tenha feito, e mereces mesmo um Amor que não seja o meu amor, e eu mereço o meu Amor que não conheço mas vou inventar sem inventar a amada e sem planear que isso venha. Arrependo-me mas não o posso controlar. Se o pudesse não estaria a escrever esta carta pois estaria contigo a viver no Amor e não uma tal vida já feita. E se forçasse o sentimento viveria contigo qualquer coisa que seria fraco e sem Vida, e tu não mereces isso. Eu já passei por isso, eu já passei por tanto também. Amei sem ser amado e amei quem manipulou o amor por mim. Deveria, portanto, aprender com isso e sobretudo aprender a não o fazer com os outros, se é que já o tenha feito ou venha a fazer, mas sou só humano.
A nossa mão nunca encaixou verdadeiramente uma na outra, o nosso abraço não encaixou verdadeiramente e os nosso lábios não encaixaram verdadeiramente um no outro. Tudo encaixou entre os espaços físicos sem sequer perceber dos espaços transcendentes. Tenho plena noção que, ao dizer isto, corro de novo o risco de parecer frio mas esta é a correta forma de o ser, a frieza da honestidade, aqui tangível, para que seja possível um ponto final, "having a clouser", para que haja toda a liberdade emocional de partir e procurar outro alguém, que não seja só um corpo, e no Amor ou lá o que seja, ser feliz.
Então vai, sê feliz que eu serei qualquer coisa e até chegarei a ser feliz no amor mas nunca infeliz sem ele! Dou-te com esta carta um beijo na testa, com carinho minha amiga, deste que, apesar de tudo, será sempre uma memória e um amigo mesmo que no passado das nossas Vidas.

Com algum amor, um beijo e um abraço do teu alguém de algo!

 

Fábio Costa (Colaborador do Jur.nal)

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