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JUR.NAL ONLINE

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

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23
Abr19

Anónimos #3

Jur.nal

 

 

A minha respiração acelera e o meu coração começa a palpitar cada vez mais forte. Sinto que vou enlouquecer. Sinto-me desnorteada.

 

Frustra-me que as pessoas mexam nas minhas coisas. Tenho o problema grave de me apegar demasiado a tudo o que é meu e fico com um stress exageradamente grande quando me as levam e eu não sei se as volto a ver.

 

O pior é mesmo mexerem nas coisas e levarem sem pedir. Eu não fico chateada por ficar com menos uma bolacha no pacote, por mim podem ficar com todas! Só desejava que me pedissem primeiro antes de abrirem o pacote, pois ele até pode não ser para mim! E depois disso parem de me tentar fazer pensar que o problema está em eu ser egoísta e que me devolvem o raio da bolacha que me tiraram. Não! O problema não está aí! Eu quero lá saber da bolacha e não me interessa que me comprem dez pacotes a seguir! Compreendam isto! Está no vosso gesto! Será pedir muito que me avisem que vão tirar algo? Especialmente se for algo que não volta para mim? Se me levas a garrafa de água, mesmo após eu ter dito que podias beber, não é justo saber porque é que ela vai contigo e não fica ao pé de mim depois de teres bebido quase tudo e já não sobrar nada? Porque, desculpem a minha ignorância, mas não percebo que uso se faz de uma garrafa de água que não tem água. E sim, apeguei-me a esta garrafa de água porque a comprei num sítio especial e só lá consigo arranjar estas garrafas. Custaria-me um pouco perder algo de um lugar onde só volto daqui a meses - isto se voltar.

 

Peço desculpa se estou a exagerar, mas eu sou assim! É um problema que tenho, é verdade, mas a ansiedade fala mais alto e eu até me sinto mal disposta com estas coisas.

 

Querem saber o que uma pessoa com uma obsessão destas sente? É tão simples (que de simples não tem nada) quanto isto: peguem na minha caneta para desenhar ou algo do género sem me pedir, mas sempre à minha frente, e eu perco a minha concentração toda no que estava a fazer, quer seja uma reunião, um trabalho ou até ver uma série. Queriam a minha atenção? Parabéns, conseguiram-na. E vão tê-la até me dizerem que me tiraram a caneta ou até me a devolverem. Comeram uma bolacha do meu pacote que estava fechado, sem eu ver e sem me pedirem? Agora, por mim, até podem comê-las todas, porque a minha garganta acabou de secar e ganhar um nó e eu perdi qualquer apetite que se fizesse sentir no meu estômago. Ainda melhor, eu só descobri mais tarde, por mim mesma, que o tinham feito porque vocês não tiveram a decência de me dar o toque “olha, abri o teu pacote e tirei uma bolacha”? Podem ter a certeza que o meu dia já ficou totalmente estragado, porque não vai haver mais nada a envolver-me a mente do que a angústia que estou a sentir pelo que acabou de acontecer.

 

Por último! Se me levam a garrafa para fora da minha vista, ao menos forneçam-me uma explicação para o seu uso, visto que a minha ignorância só me irá causar uma dor de cabeça de tanto pensar no porquê de não ter a minha garrafa comigo, já para não falar da má-disposição que se começa a criar no meu interior por já começar a criar cenários possíveis para nunca mais voltar a ver o raio da garrafa. Só para perceberem o quanto isto me afeta, por vezes até parece que sinto um aperto enorme no coração e que estou a ter um enfarte, ridículo não é? E por favor parem de me acusar de exagerar quanto à situação. Surpresa, surpresa: não ajuda! Eu sei que exagero, tenho perfeita noção disso, mas não acham que isso só me faz sentir pior por não conseguir relativizar as coisas? Desculpa lá Maria se eu não consigo ser despereocupada como tu. Acredita, já tentei!


Eu só peço que me perguntem primeiro se podem levar algo ou, se não o fizerem, que mais tarde me digam e que não esperem que seja eu a descobrir que o fizeram; para além disso, por favor expliquem o porquê de me levarem algo, para eu ao menos poder ficar um pouco mais descansada sobre o local onde as minhas coisas queridas estão.


Também não me agrada viver com este tipo de ansiedade e problema, mas, sinceramente, já tentei mudar e não consigo. E a questão é: será que estou assim tão errada na vida por ser assim e não conseguir mudar?

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