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Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

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25
Set19

Novos Sons #6 - You Are Forgiven

Jur.nal

you are forgiven.jpg

 

João Batista Coelho apresenta-se à tuga como Slow J em 2015 ao lançar The Free Food Tape. Apesar de nascido e criado em Setúbal até os 8 anos, é nos 12 anos seguintes que João Coelho muda de casa 10 vezes, passando por lugares como Cascais, Carcavelos, etc..., acabando por ir parar a Londres, onde estudou Engenharia de Som.

 

Se há artista que mereça qualquer tipo de hype é este senhor, pois em 2017 lança The Art of Slowing Down, sendo considerado um dos melhores trabalhos realizados em Portugal.

 

O estilo poucos sabem ao certo, é uma mistura entre todos. Sendo que: seja qual for… é bem produzido.

 

Hits como Cristalina, Às vezes e Pagar as Contas cercaram o país, e nada mais podíamos fazer senão ouvir. As harmonias contagiantes e os espaços silenciosos bem preenchidos, faziam com que nos apegássemos ao botão do repeat.

 

21/9/2019

 

O dia é de chuva. Abro o Twitter e num dos primeiros tweets que leio vejo algo do género: “Obrigado Slow”. O coração vai batendo cada vez mais forte, abro o YouTube e lá está, outro álbum. Sem qualquer aviso prévio ou publicidade, lá está ele: “You Are Forgiven”, um dos melhores álbuns que já vi passar pela frente.

 

Slow J não aparece muito, entre os poucos concertos e aparições em público vai mantendo a sua pessoa fora dos holofotes. Mas no que toca à sua música, cada batida é escutada longe.

 

Também Sonhar,

“Eu queria ser melhor pai que o meu pai
Ele trabalhava demais e agora eu trabalho por todas as horas que ele trabalhou sem amar o que faz”

 

É nada mais do que a primeira faixa do álbum e já tenho os olhos pesados. Acompanhando o trabalho do artista apercebemo-nos que os agradecimentos à família são espontâneos e que é por eles e para eles que o mesmo é tudo o que é. A sua arte reveste a alegria que sente em hoje poder fazer o que gosta, tendo possivelmente este sonho sobrevivido às custas daqueles que sonharam também em si.

 

“Bem-vindo ao topo
Topo do quê?
Topo p'ra quem?
Qual é o teu sonho?
Protege-o bem
Pra não esquecer”

 

A fama surge, o ano é 2017 e só se ouve falar em Slow J, se o seu sonho era ser famoso, crê-se que o haja alcançado, mas será apenas isso?

 

Um álbum com 9 faixas que culmina com a música “Silêncio”, onde João, possivelmente, revela um dos seus maiores sonhos:

“Eu queria ser a cria que ia libertar o mundo
A lâmpada que acende e te guiar no escuro
Há tanta máquina que tende a incentivar o fumo”

 

Toda a letra e métrica de João é confusa, por mais subjetivo que seja ao dizê-lo, acredito que as suas músicas se sentem mais ao serem ouvidas do que lidas. A letra em si - embora complexa - vê-se vazia longe de toda a produção musical. Sem contar que a voz do Slow dá todo um voo ao sentimento depositado nas suas canções.

 

A música é “Só Queria Sorrir”, e a cada faixa sinto-me preso a este álbum.

 

Já o repeti, num espaço de 3 dias, umas 10 vezes, inclusive enquanto tirava uma sesta domingo à tarde.

 

Nesta canção observamos uma luta consigo próprio. Possivelmente uma das canções mais fortes do álbum, onde Slow J luta contra si mesmo, perguntando-se o que leva a que os outros se levantem e ele não. Uma certa culpa direcionada ao quotidiano suburbano onde o tempo voa e o sair da cama é apenas mais um passo a dar diariamente, apenas mais uma etapa. É aqui que João Batista revela que uma das suas motivações - para que possivelmente se dedicasse à sua paixão pela música - seja o poder levantar e não se sentir deprimido, como outrora.

 

“Primeira motivação pa' me tornar quem eu quiser ser
Pa' sair da cama mas nunca viver com pressa
Eu só queria sorrir e nunca mais viver depressin'”

 

Não quero ser exaustivo e isto é de facto muito pequeno. Mas é um álbum em que há tão pouco que se diga. Das poucas coisas que digo é que, a meu ver, You Are Forgiven revela-se como o melhor álbum da década em Portugal e possivelmente um dos melhores da história portuguesa. O espaço que o artista nos deixa para que os nossos sentimentos e pensamentos corram pelos corredores é algo soberbo.

 

A música é: “Onde é que estás?”; e pouco se tira da mesma. Um confronto e uma sequência de perguntas sobre o seu estado, sobre o seu paradeiro:

“Johnny boy onde é que estás agora?
Tu só querias ser feliz
Tanta coisa que tu tens agora
Diz ao mundo se estás triste
Deixa o mundo saber”

 

Slow tenta alcançar a “verdade nua e crua”, justificando que todas as etapas já passadas não o tornam mais Slow do que o costume. Refere que hoje tem tudo, mas que continua como antigamente, tendo sempre tudo e todos ao seu redor.

 

You Are Forgiven é um pedido de desculpas de Slow J a João.

 

Jefferson A. Fernandes

(Aluno do 3.º ano da Licenciatura)

 

 

24
Set19

Uma Aventura no Oriente

Jur.nal

foto madalm.jpg

 

 

23 de agosto 2019

 

 

Nem sempre tudo o que fazemos muito em função das modas e bons testemunhos tem os seus alicerces nos mesmos motivos e, estranhamente ou não, os mesmos percursos podem levar-nos a absorver e carregar sentimentos muito diferentes.

 

Apesar de ter chegado a Macau há apenas uma semana, tenho compreendido algo que é tão senso comum, mas não tão fácil de captar: cada pessoa leva um programa de intercâmbio com um peso e leveza distintos e cada qual tem no seu subconsciente as verdadeiras razões por detrás disso, que sempre ultrapassam o querer enriquecer o currículo.

 

O sítio que escolhemos também acaba por dizer muito sobre os desafios e interesses que queremos encarar. Acabo por sentir que fazer um intercâmbio em Macau se tem revelado uma turbulência de emoções. Como disse acima, só passou uma semana, mas quando os dias são imprevisíveis, quando estamos a adaptar-nos ao outro, a um outro tão diferente de nós, a um lugar onde somos estranhos em sentido amplo, poucos dias sabem a muito; somos mais capazes todos os dias porque agora estamos por nossa conta. Começar do zero desta forma não se compara a qualquer experiência e deverá ser por isso que cedo nos é dito que é importante passar por isto, crescer.

 

5 de setembro 2019

 

Crescer.

 

20 dias passaram desde que cheguei aqui e o meu crescimento, autoconhecimento e capacidade de superação atingiram níveis que um par de anos não pareceu carregar.

 

Nas primeiras noites e manhãs tive frio. Foi um frio similar àquele frio de dormir com uma botija de água quente porque é mais confortável, o mesmo frio de ser verão e ficar no sofá com a manta só a cobrir os pés porque sim. É o frio do aconchego, da necessidade de privacidade, de ver todos os dias pessoas tão diferentes de mim e ainda assim ser eu A pessoa diferente, a estranha.

 

Não há um manual de instruções que nos ensine a pôr de parte certos estereótipos e preconceitos que nem sabíamos bem que tínhamos; que nos ensine o que se faz fora da bolha na qual vivemos: cá somos ninguém para toda a gente, não temos o nosso quarto, família e amigos, vivemos com um budget mais contado. Aterrámos aqui e o mecanismo de defesa é comparar tudo e todos com o que conhecemos e o que conhecemos é, na nossa cabeça, melhor. Mas só é melhor porque não é difícil e o difícil nisto vem da maneira como mexe com o ego e com inseguranças.

 

No fundo, há que aceitar que não vamos controlar 99,(9)% do nosso dia e das duas uma: ou embarcamos ou nos refugiamos no quarto à espera que um monte de desconhecidos batam à porta com o sonho de serem nossos amigos.

 

Vir estudar para Macau não é um tipo de intercâmbio do género «férias grandes» e a Universidade de Macau tem muito de similar à Nova, seja no método de avaliação, seja na proximidade professor-aluno. Uma grande diferença passa por um requisito de presenças obrigatórias a 80% das aulas, bem como um horário mais próximo do que chamamos de pós-laboral, o que, por um lado, permite ao estudante aproveitar todo o seu dia e, por outro, poder ainda fazer planos para a noite. Tem-se afigurado uma faculdade exigente e proporciona as equivalências necessárias para fazermos um semestre similar ao que faríamos na Nova.

 

Na minha ótica, essa rotina diária e seriedade conferem boas ferramentas de comparação entre o ensino português e o macaense, rodeiam-nos de portugueses que vivem e estudam cá – quer nascidos em Macau ou vindos de Portugal – e conseguimos atingir um certo tato e sensibilidade sobre como se vive aqui, o que não é certamente possível em todas as faculdades; nem há qualquer outra cultura em que vejamos um distanciamento tão grande e, ao mesmo tempo, a proximidade com Portugal.

 

Com isto, pretendo dar uma perspetiva transparente, sendo esse o lema que adoto sempre. Fazer um intercâmbio tem tanto de liberdade, de festa, surpresas, de um desapego saudável aos bens materiais, lugares e pessoas que nos acrescentam, como de uma quantidade de desafios iniciais que nos fazem questionar se isto é certo, se estamos a fazer o nosso melhor, que nos obrigam a saber gerir horários, gerir dinheiro, lidar com situações inesperadas, lidar com alguma solidão. Há um processo de normalização e abrir a mente desde o dia 1. E desde o dia 1, cresci. E todos os dias compreendo-me melhor, relativizo os meus medos e continuo a brotar.

 

Passam 20 dias e sou mais feliz por estar do outro lado do mundo a deixar-me contagiar pela beleza da diferença.

 

Madalena Almeida

Aluna do 3.º ano da Licenciatura (atualmente em Erasmus em Macau)

 

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