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JUR.NAL ONLINE

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

29
Mai19

JU(NIO)R.NAL #2

Jur.nal

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Armas, x-atos e forcas

O anjo da morte em forte aparição

À minha volta nada, a não ser conflito

Sangue brota, jorra, desprende-se da podridão

 

As pombas suspiram aos meus ouvidos,

De repente, vislumbres do que poderia ter sido,

Esta alegria fantasmagórica aquece-me os sentidos

Sinto a alma deixar-me, o corpo numa confusão

 

Tento agarrar-me ao que desejo e não tenho, fôlego

Da vida em que não existo e que tanto aspiro

Quero reconstruir-me e logo me afogo

Luto, sangro, tento erguer-me, masoquismo

Sem fim...

 

Nada feito! Desvaneço…

 

A minh´alma tenta mas não me alcança…

Tudo à minha volta se desmorona num abismo sem fim…

O sol bem tenta mas não me atravessa…

Os meus olhos encerram-se através do terror de me ter a mim

 

Que droga foi a que inalei?

Essência de Inferno em vez de Paraíso?

Que maldição a mim própria lancei?

Como é que com este estupendo sofrimento me imortalizo?

 

Nem droga nem morfina. O que me queimou,

Foi álcool mais invulgar que se entranhou:

Só o meu ser me alucinou - Luz tão forte que me amortalhou.

 

Sofia Ribeiro

27
Mai19

Anónimos #6

Jur.nal

Uma linha desnecessariamente necessária  

Escrevo por ela não me poder dar o que compus  

Passados desordenados 

Futuros inaptos 

Talvez me tenha tornado inevitavelmente sentimental 

Por não querer que destruas todas as passagens temporárias 

Foi por tão pouco que perdia o comboio  

Sobrando palavras por dizer 

Palavras perdidas em tempos fantasiosos  

No escuro ainda esbarro naqueles versos que não soubeste declamar 

O mais fácil desprezado... 

Esperarei por ti à beira do comboio 

Basta olhares e pernoito  

Um gesto simples inconcebível por duas almas moribundas  

Digo-te por fim que 

Desta vez espero eu que percas o comboio. 

24
Mai19

JU(NIO)R.NAL #1

Jur.nal

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Apaixonei-me por ti.

Pelos mistérios, segredos e encantos.

Apaixonei-me pelos cantos e recantos de cada cantinho do teu ser.

Dormir só para ver o amanhecer,

Despedirmo-nos ao entardecer…

 

Assim me despeço de ti, de nós,

Do que poderia vir a ser fruto do nosso amor,

Não posso continuar mais, por favor!

“Faz o favor de ser feliz”, já dizia aquele senhor.

 

Eu irei tentar fazê-lo,

À maneira que antes te pertencia,

E como que por magia se desapegou…

Para o futuro olhou e viu que passado eras…

 

Não quero mais primaveras,

O inverno chegou.

 

E com ele, tudo levou.

 

Milene Luz

 

22
Mai19

Como Explicar a Temporada 8 de Game of Thrones através do Direito:

Jur.nal

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Prometi-vos, ainda com a última temporada a meio, uma crítica de Game of Thrones. No entanto, não o fiz na altura com medo de que parte da minha crítica ficasse desvirtuada, e,  terminada a temporada, concluo que até estava certo, mas pelas razões erradas. Isto porque temi que os show-runners (D&D) pudessem ainda tirar um último coelho da cartola, fazendo jus ao trabalho apresentado nas primeiras temporadas, porém esses coelhos estão há muito mortos e chegado ao fim confirmo: já não existe sequer a cartola.

E penso que, embora em alturas diferentes e por motivos diversos, chegámos quase todos a esta conclusão. Nomeio, a título de exemplo, o meu pai, que há umas semanas atrás me fez perder a paciência ao defender o episódio da batalha contra os mortos, mas já ontem, quando mencionei a série, assumiu um silêncio comprometedor e uma postura derrotada.

Posto isto, seria tanto pouco desafiante elaborar uma crítica séria de algo tão evidentemente mau, como também seria doloroso estar para aqui a listar os infinitos atentados à inteligência que esta série cometeu.

Trago-vos, portanto, e por agora, algo decididamente mais único e proveitoso:

Como explicar a Temporada 8 de Game of Thrones através do (curso) de Direito:

Imaginem que a última temporada é uma importantíssima cadeira de 8 créditos, leccionada por um exigente professor à la Tiago Duarte (as minhas condolências para aqueles que não tiveram a oportunidade de entender a referência, pois não conheço melhor professor) e para acrescentar à dificuldade, é a primeira vez que está a ser dada por este senhor(a), que não irá seguir o método assumido nos outros anos, consistente em apresentações de alunos e/ou leitura de powerpoints.

Ora, D&D aparecem apenas na primeira aula do semestre, afinal de contas tiraram alguns 18’s nas primeiras seasons e as outras até se foram fazendo e vão às suas vidas diárias, aquelas estranhas vidas de quem não comparece na faculdade e cujos detalhes desconheço de todo.

Bem, a vida acontece e falta uma semana para os exames, plural, pois como todos os alunos, também D&D enfrentam mais que um -  nomeadamente, a trilogia de exames StarWars para os quais a Disney os inscreveu - quando D&D começam a pegar nas coisas. Os primeiros dias são gastos a recolher o pouco material e em idas às compras por códigos, enquanto esperam por esmolas no facebook da turma. Embora estejam cientes de que o exame de GOT vem primeiro, a matéria de StarWars é mais interessante, mais abundante e menos exigente, pelo que vão adiando o estudo de GOT, mas nada que umas diretas bem feitas não resolvam, acreditam D&D. Com o exame na segunda, e chegado o fim de semana, combinam um estudo na casa do amigo, mas levam a PlayStation para as pausas. Acabam por não estudar muito, mas nada que uma tarde no Skype a resolver exercícios não solucione.

Chegada a noite de domingo de Skype (porque o amigo não pôde de tarde), D&D assumem que já não têm tempo para exercícios e que o melhor a fazer será anotar o código de GOT.

Passam as horas seguintes nessa tarefa, atráves de uma qualquer sebenta manhosa em segunda mão que arranjaram, e vão-se deitar às 3 da manhã.

Chegam 15 a 30 minutos atrasados ao exame, provavelmente porque ainda tiveram de ir aos serviços académicos e/ou talvez porque foram imprimir legislação à papelaria.

Deparam-se com seis questões.

As primeiras duas pedem para explicar conceitos. Fácil, assumem. Abrem os códigos, viram as folhas, pedem ao colega do lado, vão à casa de banho consultar o telemóvel e lá as acabam razoavelmente. Tanto que a Wikipédia as atribui a outras pessoas

A terceira pergunta é a primeira de um díficil caso prático. Pede uma resposta bem mais complexa que as primeiras duas e influencia as restantes três.

  1. O que acontece ao Night King?

Infelizmente para D&D, a única coisa que conseguem retirar das cábulas é a sua morte. Falham redondamente no (como?) e nem sequer chegam a responder ao (porquê?). A resposta do (quem?) até se aceita, embora não fosse a resposta da doutrina maioritária, não obstante a tentativa de justificar com ligações de última hora. A resposta sabe a pouco e deixa muitas pontas soltas, bem como um Jon e um Bran insignificantes.             

4 e 5. Dany vs Cersey

Se até aqui D&D já acusavam dificuldades, nestas duas questões espalham-se ao comprido. No ínicio da sua resposta, decidem dar vantagem à Cersey. Determinam que os dragões não são omnipotentes e que existem maneiras de lidar com eles. Umas linhas depois, já descrevem a situação de Cersey como negra, destino que mais tarde se vem a confirmar, porque afinal os dragões são omnipotentes. Depois, sem saber o que fazer com Jamie, decidem responder como se estivéssem nas primeiras temporadas e ignorar qualquer desenvolvimento da personagem, conseguindo ainda encavalitar desajeitadamente a resposta a Euron num asterisco pelo meio.        

Entretanto, olham para as cábulas e percebem que a resposta à pergunta 6 está dependente da Dany. Ouvem os sinos da igreja simbolizar o meio dia e no desespero de terminar o exame, têm uma ideia fenomenal.

  1. The Iron Throne

E com apenas cinco minutos para entregar o exame, a resposta final de D&D fica algo do género:

“Dany enlouquece, o Tyrion vai preso. Jon faz a sua escolha. Jon vai preso. Os nobres aparecem em Kings Landing. Greyworm deixa Tyrion e Jon vivos e sai de cena. Jon sai de cena para a muralha, esta ainda relevante por alguma razão. Bran é eleito rei porque o Tyrion conta uma história, afinal já ninguém quer ser Rei ou ser independente, bem menos a Sansa, porque nenhum homem do Norte seguirá um Rei do Sul....Stark, ninguém contesta absolutamente nada e voltam todos para casa felizes. ”

The End.

Bonus Scene: Bronn, que não entendia o conceito de um empréstimo, temporadas atrás, é feito Lord of Highgarden and Master of the Coin.

André Carmona

Also: https://twit.ter.com/Schrecko/status/1130315365840506883

14
Mai19

Anónimos #5

Jur.nal

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Estava no comboio quando vi uma senhora de chinelos e me deparei com uma questão. Porque é que usamos sapatos? Para proteger os pés? Para ter um maior conforto a andar? Para escondê-los? Mas escondê-los de quê? Devemos ter vergonha dos nossos pés?


Eu realmente tenho, mas isso sou eu, que os acho uma das partes mais horripilantes do meu corpo. São estranhos e totalmente anormais, parecem batatas. Mas não é por eu querer esconder os meus pés que os outros também têm de o fazer. E se realmente não o fizerem, eu não tenho de os julgar por isso.


Eu, realmente, penso: “Porque é que as pessoas usam chinelos? Expõem tanto os pés!”, mas quem tem o problema com a exposição sou eu, não eles.

 

Eu olhava para aquela senhora no comboio e só pensava que sou incapaz de usar chinelos em público, exceto se o panorama circunstancial enquadrar uma praia. Digo, desde já, que eu não vou à praia.


Sinceramente, tenho uma certa aversão a olhar para os pés dos outros. Especialmente quando se trata daqueles pedúnculos com unhas totalmente maltratadas e nada apelativas à vista. Novamente, não são as minhas e não tenho nada que julgar as unhas dos outros, mas não deixa de ser desagradável.

 

Adidas, por favor para de fazer chinelos de último modelo para as pessoas terem ainda mais vontade de andar de pata ao léu no meio da rua. Não vamos criar mais modas pedicuriais (espero que gostem da minha nova palavra)! E apesar de andar de meias e chinelos for uma boa maneira de tapar o pé... não é bonito. There! I said it!

 

Ah pés... como eu vos detesto. Porque é que eu nasci com coisas chatas no fundo das pernas? Podiam-me ter calhado aqueles pés bonitos, que vamos nas revistas dedicadas a tal efeito. Dessa forma até teria onde fazer dinheiro, bastava pintar as unhas. Mas os meus genes assim quiseram e eu nasci com pés assim. Ao menos tenho sobre o que escrever, caso contrário este texto não estaria aqui.

11
Mai19

Entrevistas #4 - Paula Sousa

Jur.nal

A nossa querida Paulinha (D. Paula para quem é mais tímido) é a última convidada do segmento Entrevistas do JUR.NAL deste semestre. Vemo-la todos os dias mas pouco conhecemos dela. 15 minutos de conversa numa tarde amena, lá para os lados da esplanada do bar, e eis que entramos na vida desta bonita senhora que alegra os nossos dias, aqui, no Campus de Campolide! 

 

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Conhecemo-la todos por D. Paula. Queremos, finalmente, saber: qual é o seu apelido?

- Sousa. Paula Sousa.

 

Pois. Quem a segue no Instagram sabe. Quem não a segue, não sabe… (risos). E há quanto tempo é a “D. Paula do Bar”? Há quantos anos é que trabalha aqui?

- Vai fazer quatro anos no dia 19 de Setembro.  

 

Já que trabalha aqui há alguns anos, queríamos, então, saber se quando se levanta da cama de manhã pensa: “lá vou eu ter de os aturar [aos alunos] mais um dia…” ou levanta-se e fica alegre porque nos vai ver?

- Trabalho na ICA há 32 anos, e de há 4 anos para cá que acordo bem-disposta, sem problemas, sem stress e gosto de vir para cá. 

 

E dorme bem, não tem pesadelos connosco, então?

- Não tenho pesadelos (risos).  

 

Muito bem. Pegando nisso, queríamos saber se a sua boa-disposição e à-vontade connosco é algo propositado para que o dia corra bem connosco, e para nos “suportar”, ou é algo que é inerente à sua personalidade?

- A minha personalidade é estar sempre a brincar, sempre bem-disposta. Mas, claro, neste trabalho eu consigo ser aquilo que sou de verdadeNos outros trabalhos em que estive, tinha de ser mais séria.  

 

Onde é que já trabalhou?

- Já trabalhei na Presidência da República… 

 

A sério?

- Sim. Também trabalhei na Rover – nos jipes -, na Beiersdorf em Queluz, na fábrica da Sumol… sempre em refeitório. E quando estamos numa fábrica onde, por exemplo, há muitos homens, temos de ter outra postura. Aqui [no Bar da FDUNL], não. Eu posso brincar, posso mandar bocas, posso fazer o que quero porque vocês [alunos] também me dão asas para tal.  

 

A verdadeira Paula é, então, aquela que brinca?

- Sim. Sou naturalmente bem-disposta.  

 

Voltando à Presidência da República: quer dizer que já serviu Presidentes da República?

- Já. Jorge Sampaio, Cavaco Silva e ainda ‘apanhei’ seis meses com o Marcelo.  

 

E privou com eles?

- O Jorge Sampaio almoçava com a mulher no refeitório e muitas vezes sentava-se à mesa connosco [empregados]. Já o Cavaco Silva, só estávamos ou falávamos com ele nas festas de natal, porque haviam sempre festas de natal e nós [empregados do refeitório] éramos convidados e íamos. Era muito simpático, mas mais fechado. Quanto ao Marcelo, não ia almoçar, aliás ele não almoça; come uma sandes e bebe um sumol de ananás. Mas falava-nos quando se cruzava connosco nos jardins ou nos corredores.  

 

Muito bem. Gosta da sua profissão, de servir as pessoas? Ou apenas teve de ser?

- Também teve de ser… porque eu cheguei ao 9º ano, comecei a namorar e não quis continuar os estudos. Casei-me cedo (juntei-me com 17 anos) e comecei a trabalhar logo na empresa… Mas gosto daquilo que faço porque atendo ao público. Gosto. De conversar, de brincar.  

 

E atender os mais novos…

- É o que digo. 5 estrelas. Mas chego a casa cansada… porque falo muito. O meu marido nota que eu, desde que vim para aqui, sou mais calada. (Risos). Porque converso, brinco, rio-me e, então, chego a casa mais cansada.  

 

Mas, mesmo assim, consegue acordar bem-disposta…

- Acordo, e acordo às 4:45 horas da manhã! Às 6:15 horas já estou aqui a trabalhar. 

 

Ainda dorme, então, menos que o Presidente Marcelo…? 

- (Risos). Não, porque deito-me cedo. Às 22:30 horas já estou a dormir.  

 

Agora em relação a nós, alunos, já estando a D. Paula aqui há quatro anos, queríamos saber se nota a evolução que vamos tendo, mesmo a nível físico, mas também nas relações consigo e com os outros?

- Noto diferença em alguns. No primeiro ano são muito fechados e tímidos; no segundo ano já conseguem manter uma conversa… e gosto de tudo o que vocês têm: as festas, o convívio. Eu não tinha ideia do que era uma Universidade. Para mim era virem aqui e terem aulas. Portanto, isso tudo para mim é giro e eu gosto.  

 

Uma questão mais difícil: têm circulado uns ‘zunzuns’ de que a D. Paula sevai embora num futuro próximo. É verdade? Pode falar disso?

- Posso falar. Eu trabalho para uma empresa. Se a empresa não renovar o meu contrato com a Universidade, vai embora e é normal que eu vá com eles. O que não quer dizer que a empresa que venha para aqui, ou as pessoas que venham tomar conta do bar não me convidem. Se me convidarem, eu fico. Porque não quero ir com a ICA.  

 

Isso envolveria ter de mudar de empresa…?

- Mas os contractos de refeitórios são iguais – eu continuaria com os 32 anos de serviço. O meu contrato passaria para a empresa que viesse para cá. Portanto, se me convidarem, eu aceito, porque quero ficar aqui; se não me convidarem, sou obrigada a ir com eles [com a empresa].  

 

E se for, vai com saudade…

- Vou. No dia 29 de março, até, éramos para ir já embora e eu pedi à empresa que me despedisse e que me desse a carta para o fundo de desemprego, porque já não tenho vontade… 

 

Se não estiver aqui, não quer estar em mais nenhum sítio, é isso? 

- Sim. Com a ICA, não. E queria ficar aqui. Gosto disto. Nestes quatro anos tive problemas na minha vida, de que vocês não se aperceberam, e estive sempre bem porque vocês também me ajudam a que eu vá estando bem. (Vocês ainda chegam a ser mais novos que a minha filha, que tem 26 anos…) É o que eu digo aqui, quando as minhas colegas novas chegam: temos de lhes facilitar porque eles ajudam-nos; ao fim e ao cabo, não nos ‘chateiam’. Temos de ser amigas deles porque eles são nossos amigos. E, muitas vezes, em relação a dinheiros eu tenho de dizer que há pessoas honestas, estando nós a falar de miúdos de 19 anos. Eu cheguei a dar troco e virem ter comigo ao fim de uma ou duas horas a dizer: D. Paula, deu-me dinheiro a mais.  

 

Isso também terá a ver com o facto de a D. Paula cultivar a relação de proximidade connosco. Se acontecesse com outra empregada, talvez o desfecho não fosse o mesmo… 

- Não sei. Mas os miúdos – para mim são miúdos - são mesmo honestos. Não estão aqui para fazer mal. Estão aqui para estudar, para ‘curtir’ os anos de Faculdade e não para prejudicar alguém.  

 

Voltando ao seu contrato, tinha dito que ia acabar a 29 de março…? 

- Sim, o contrato acabou mas conseguimos ficar até dezembroMas não mais do que isso.  

 

Muito bem. Já falámos dos alunos, queríamos agora saber da sua relação com os Professores e funcionários (risos). Talvez tivesse a ideia, quando veio, de que os Professores universitários são muito sérios. Confirma-se?

- Sim. Há Professores que são sérios, mas também há outros (que eu não sei o nome) …  

 

Pode-nos falar em geral (risos).

- Sim, porque não sei os nomes. Há uns que são simpáticos. Mas há um ou outro que são mais arrogantes, mesmo. Enfim, em geral são mais os antipáticos do que os simpáticos… 

 

E os funcionários do outro lado [da Faculdade]?

- É normal. Uns chatos, outros menos chatos. Umas pessoas mais conflituosas, outras menos conflituosas. Mas eu gosto de estar aqui [a trabalhar no Bar] pelos alunos, não pelos Professores nem por mais ninguém. 

 

[momento em que alguém abre a porta que dá acesso à esplanada] E esta porta daqui, incomoda-a ou nem por isso? Sempre a bater… e quando está frio, deixam a porta aberta…

- A mim não me faz confusão nenhuma… só estou à espera do momento em que ela parta (risos).  

 

Para acabar, uma pergunta para encaminhar para a última: qual é a sua idade? 

- Tenho 48 anos.  

 

Muito bem. E agora vamos colocar-lhe a pergunta que já combinámos, para acabar da melhor forma: como é o sexo depois dos 40? (Risos).

- Depois dos 40, a coisa tem de ser com mais calma, mais trabalhada. Principalmente se for a mulher, que se tiver 48 anos já está na menopausa, já tem dores na coluna, já tem dores nas pernas… Portanto é tudo com mais calma e mais carinho. Não pode ser aquelas ‘rapidinhas’ que vocês dão na vossa idade… 

 

Para terminar - e agora sim – pedimos-lhe uma mensagem para nós, alunos. 

- Divirtam-se, gozem bem a vida, não façam muitas asneiras – tabacoaquele que faz rir, as bebidas alcoólicas – riam-se, brinquem, porque vão ter uma vida muito difícil pela frente. Vão ter muitos obstáculos, vão ter de engolir muitos ‘sapos’ na vida, dissabores, dias maus. Portanto, aproveitem estes anos de Universidade que eu gostava de ter vivido e não vivi…  

 

09
Mai19

A minha afinidade com Portugal

Jur.nal

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Gosto imenso duma frase, proveniente do enredo do filme americano Forrest Gump: “a vida é como uma caixa de chocolates, nunca sabes o que vais encontrar”, uma vez que tem sido mesmo assim a minha vida, repleta de reviravoltas inesperadas, sobretudo acerca de Portugal e do mundo lusófono.

 

Nasci e passei a maior parte da minha trajetória até agora numa cidade litoral chinesa que se chama Tianjin, era o centro económico do norte do país num certo período do século passado. Talvez a primeira vez que tenha ouvido falar de Portugal, um país no outro lado de mundo, tenha sido na televisão quando se transmitia uma cerimónia de transferência de Macau para a China, no dia 20 de dezembro de 1999. Na altura, não imaginava que podia, um dia, visitar este país que descortinou a época de Descobrimentos, nem pensava de forma nenhuma os demais cruzamentos que aconteceriam mais tarde.

 

Jamais tinha antecipado ir a outro país na fase da escola secundária, porém, tudo se virou para um ramo distinto num dia normal de aula, quando os meus pais foram informados sobre a candidatura do AFS, um programa de intercâmbio juvenil, pelo qual manifestaram interesse e quiseram que eu participasse. Candidatei-me pela insistência deles e escolhi aleatoriamente Portugal, desencadeando a partir daí uma encruzilhada predestinada. Apesar de não falar nada português nem dominar bem inglês na altura, vim cá assim pela primeira vez entre 2007-2008, sendo acolhido numa família portuguesa em Braga, que me recebeu com muita hospitalidade e simpatia. Fiquei cá 10 meses e acabei por conhecer melhor, geograficamente, Portugal do que a China a partir do Gerês até ao Algarve, graças à iniciativa da minha mãe portuguesa. Quando chegou a hora da despedida, disse adeus a Portugal sem previsão da data do regresso.

 

Não obstante, a vida deu uma viravolta dois anos depois, quando fui a Macau para tirar licenciatura na língua portuguesa sob recomendação familiar. Aterrei no terreno português novamente no terceiro ano universitário com o intuito de fazer um outro intercâmbio em Coimbra. Com a facilidade da língua, consegui conhecer a cultura portuguesa com mais profundidade, nesta vez, e fazer amizade com alunos de vários países, em particular do Brasil que também estudavam na cidade universitária. Após 7 meses de estudo e reunião emocionante com a família portuguesa, saí do país outra vez para perseguir o meu percurso da vida em Macau e na China, não tendo antecipação de voltar aqui a estudar. Logo que acabei a licenciatura, entrei numa conhecida empresa estatal chinesa e desloquei-me entre a China e Angola, trabalhando primeiro como tradutor e intérprete e posteriormente na área comercial e jurídica. Adquiri vastas experiências práticas relativamente ao direito angolano, principalmente na área de investimento privado, comercial, industrial e mineração, que me inspirou eventualmente a fazer o curso de direito em Portugal.

 

Quase exclui a hipótese de ser admitido para o ano letivo 2018/2019, já que estava em setembro e próximo do início das aulas, por conseguinte, espantou-me plenamente na altura que recebi o email de matrícula da Nova Direito, com enorme alegria, e nova esperança num dia luandense de calor abafado. Após a complicada organização de inúmeros documentos e tempo de espera para a obtenção de visto, cheguei finalmente a Lisboa em 23 de novembro, um dia marcante da vida, abrindo assim um novo capítulo para a minha história na terra de Camões, que ainda resta para contar no futuro.

 

Estarei eternamente grato pela afinidade com o país, pelo carinho da família portuguesa, pela aceitação da Nova Direito, pelos tempos eufóricos que passei aqui e pelos que certamente irei ainda passar. Nos últimos anos, tenho experimentado aventuras nos países e nas culturas diferentes e ser jurista qualificado em português é um desafio atual para mim, mas tenho a fé de que consigo chegar aí com paciência e tenacidade, tal como diz Alexandre Dumas no seu romance Conde de Monte Cristo, “toda a sabedoria humana estará nestas duas palavras: esperar e ter esperança”.

 

Shiping Shen

 

07
Mai19

Anónimos #4

Jur.nal

 

 

Olá, já não falávamos há algum tempo. Não posso dizer que não tive saudades, estaria claramente a mentir. Caramba, eu morri de saudades tuas!


A certa altura talvez me tenha esquecido do motivo pela qual deixámos de trocar palavras, mas são águas passadas, já lá vão, e a maré empurrou-te de novo na minha direção. Lembra-me de agradecer à Lua por ter olhado por mim e percebido que, sem ti, não estava bem.


A vela iluminou-se no meu frasquinho uma vez mais e o seu calor aquece-me a alma e deixa-me tranquila. Já não me sentia assim há tanto tempo... Já não me sentia assim desde que partiste da minha vida.


Na realidade, a única pessoa a quem tenho de agradecer é a ti, por teres cedido e deixado o orgulho de parte para me falares, eu acho que não teria tido essa coragem, pelo menos não por enquanto. Achas que podes permanecer na minha vida por mais tempo desta vez?


Já não falávamos há algum tempo. Mas agora os nossos caminhos voltaram a cruzar-se e eu não podia estar mais feliz.

03
Mai19

Poesia #6

Jur.nal

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Duas da madrugada,

Uma leve brisa

E uma praia deserta,

Será o paraíso?

 

Se há coisa mais bela

Do que o silêncio

Coisa essa é

O som do mar,

O som da imensidão

A bater no areal,

O som da voz de Deus

Ou de outra coisa

Que se lhe assemelhe,

O som de tudo

Para os ouvidos de nada.

 

Do pó viemos

E para o pó iremos,

A única forma

De enquanto existimos

Pó não sermos

É viver,

E viver é sentir,

É sentir a brisa

Desta noite estrelada,

É sentir a areia fria

Nos pés gelados,

É escutar o mar

De olhos fechados,

É sentir os sorrisos,

As lágrimas,

Os abraços,

Os beijos

E os gritos,

É vislumbrar num olhar

A imensidão

De tudo aquilo

Que podemos sentir,

(E podemos sentir muito)

 

Os amores dos livros

Não são impossíveis

E a felicidade não está

No final de semana.

 

Pensemos e sonhemos

Mas por tal não fiquemos,

Sobretudo vivamos,

Porque se não vivermos

De defuntos adiados

Não passamos,

E o que pior

Do que isso será?

Decerto que nada.

 

Mas mais importante

Do que qualquer conclusão

É fechar os olhos

E escutar o mar.

 

André Neves

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