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JUR.NAL ONLINE

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

Jornal Oficial dos Estudantes da NOVA School of Law

28
Fev19

Entrevistas #1 - Francisco "Xico" Cruz

Jur.nal

Xico, como é conhecido, é um dos jogadores portugueses de League of Legends com mais sucesso atualmente e foi dos primeiros a jogar fora de Portugal, jogando agora na liga espanhola (G2 Heretics) e tendo começado na liga portuguesa (LPLOL), passando por ligas bastante conhecidas como a TCL (Turquia). Depois de um ano não tão bom, o mid laner é agora um dos jogadores mais promissores e reconhecidos na liga em que joga, ajudando a sua equipa a obter um total de 6 vitórias e 3 derrotas que os deixa provisoriamente em primeiro lugar.

 

 

 

Q: Estás neste momento a jogar na liga espanhola, sendo que também já jogaste noutras ligas com bastante visibilidade como a liga turca. Como é que lidas com a pressão e o stress dos jogos e, especialmente neste momento, de manter o primeiro lugar sabendo que és provavelmente um dos jogadores centrais da equipa?

 

A: Não tenho muita pressão porque já estou habituado e já ando nesta vida há cerca de 2 anos, mas antes dos jogos sinto sempre um pouco de ansiedade. No entanto, a partir do momento que o jogo começa, foco-me a 100%, faço o que tenho a fazer e a ansiedade acaba por se tornar em foco, pelo que até me ajuda de vez em quando!

 

Q: Ultimamente a vossa equipa tem ganho bastante, mas nem todos os jogos são perfeitos e já sofreram 3 derrotas. Como é que lidas com essas derrotas e te preparas para os jogos seguintes?

 

A: Temos sempre uma grande preparação por trás de cada jogo, no entanto cada vez que perco fico muito abalado, mesmo que só durante as primeiras horas uma vez que odeio perder e que especialmente este ano quero focar-me ao máximo e dar o meu melhor para ser dos melhores jogadores possíveis. As derrotas fazem parte e tenho que aprender com elas, por isso nem tudo é negativo quando se perde.

 

Q: Sabemos que o LOL é algo de que gostas bastante, mas não deixa de ser um trabalho para ti. Sentes que por ser algo de que gostas é sempre fácil?

 

A: Não, como qualquer outra coisa, na minha opinião tudo o que seja trabalho ou obrigatório às vezes torna-se chato ou demasiado. No entanto, tirando os treinos com a equipa, quando não sinto que os jogos vão ser produtivos para aprender, tento distrair-me com coisas relacionadas com o LOL e ter vontade para jogar outra vez!

 

Q: Neste momento estás a viver em Espanha com a tua equipa e já não é a primeira vez que vives fora de Portugal. Sentes que estar longe da tua família e amigos torna as coisas mais complicadas ou a adaptação é relativamente fácil?

 

A: Depende de como te sentes, ao final de umas semanas sentes sempre saudades da tua família/amigos, mas se não existirem distrações emocionais eu acho que é fácil. Quando falo de distrações emocionais falo de problemas de saúde com familiares ou amigos, ou mesmo de situações em que se tiver uma namorada as discussões podem causar um transtorno emocional, mas tem que ver com ser adulto e pôr certas coisas de lado para focar no trabalho!

 

Q: Sentes mais responsabilidade ou que há mais expetativas relativamente a ti agora que estás em Espanha ou em Portugal sentias o mesmo? Se sim, porquê? Sentes que isso afeta a forma como jogas?

 

A: Sinto relativamente o mesmo, mas obviamente que em Espanha existem um pouco mais de responsabilidade e expetativas porque toda a gente me está a observar e em Portugal já todos me conhecem. Por outro lado, obviamente a competição é muito melhor em Espanha! No entanto nada disto afeta a minha forma de jogar porque dou o meu máximo em qualquer situação.

24
Fev19

Óscares 2019

Jur.nal

A cerimónia dos Óscares, já o sabemos, vai pela noite dentro. Para quem tem mais que fazer (nomeadamente dormir para estar a horas nas aulas, porque sabemos que sois alunos empenhados!), a redação do JUR.NAL, com a participação especial de dois convidados, não quis deixar de escrever uma ou outra linha sobre os filmes nomeados para a categoria de Melhor Filme. 

 

Ora vê! 

 

Imagem: www.cbc.ca

 

Juliana Senra (redação)

The Favourite (Yorgos Lanthimos)

Lanthimos sai pela primeira vez da sua zona de conforto e, não abandonando a característica forma de narrar por golpes brutos, súbitos vislumbres da complexa e muitas vezes negra natureza humana, consegue com o seu primeiro filme de época criar algo de refrescante e profundo. Trazendo às grandes audiências um achado arqueológico das relações homossexuais entre mulheres (pois está efetivamente documentada a relação entre a rainha Anne e as primas Sarah e Abigail), interliga-o com uma sarcástica exploração dos modos como as mulheres logravam historicamente atingir o poder na esfera política e privada (tão bem interligadas na narrativa). Consegue assim humanizar um drama histórico através de três personagens femininas complexas, interessantes e tornadas vivas pela representação perfecionista. Há no filme algum excesso das fórmulas de Lanthimos - o simbolismo rebuscado que precisa às vezes de socorrer-se dos cânones interpretativos com que separa os episódios da trama, um exagerado desconforto como meio nem sempre eficaz de provocar uma reação do público. Ainda assim, e porque a fórmula de Lanthimos, mesmo mais previsível com o tempo, tem atingido bons resultados, não é ainda cansativa e muito sumo se pode retirar deste filme.

 

Roma (Alfonso Cuarón)

Como aviso prévio inevitável, há que admitir que o filme é, socorrendo-me da simplicidade, muito bonito e incrivelmente bem filmado. Para lá desse formalismo exaustivo, pouco resta. As personagens são sofrivelmente incaracterísticas, querendo Cuarón forçar de tal modo uma crítica social (ademais dispersa, dividindo-se entre raça, género e classe social sem que o faça de forma coerente ou inteligente) que as transformou em puros símbolos desprovidos de existência real. É difícil assim ligar-me a esta história, e muito menos aceitar as suas conclusões. O exagero da malícia no comportamento dos homens - como quando Fermín rejeita imediata e violentamente a conversa com Cleo sobre o seu filho por nascer, ou quando um dos homens na festa de ano novo imediatamente insulta Sofia quando ela recusa a sua sedução - não faz de Roma um filme mais feminista, sabotando na verdade esse propósito. A vontade de doutrinar o espectador em Roma deixa-nos com uma sensação de claustrofobia ideológica e sem um real entendimento sobre aquilo que Cuarón quer transmitir. É sem dúvida um filme que vale a pena ver, esteticamente irrepreensível, mas que se banaliza a si mesmo, não merecendo o Óscar.

 

Francisco Fernandes (convidado, ex-aluno de licenciatura)

The Favourite (Yorgos Lanthimos)

Marshall McLuhan argumentou, já no século XX, que a política seria eventualmente substituída pela imagem — porque a imagem de um político é muito mais poderosa do que ele poderia eventualmente ser. Foi neste mundo de imagens que surgiram as figuras distantes da realeza, e é nele que nos é permitido entendê-las. Ana é Rainha da Grã-Bretanha, mas a sua fragilidade — essa que a imagem exclui — abre espaço a intrigas e jogos de poder pela influência na Corte e pelo futuro da governação. A The Favourite subjaz uma trama de poder interessantíssima, mas fundamentalmente comum. Yorgos Lanthimos encontra o seu filme no capítulo da imagem: na forma como desconstrói esse retrato de uma realeza cuja força e natureza nasceram da representação, uma realeza que não se vê como a veem, e que como é vista nunca existiu. A interpretação notável de Olivia Colman e a belíssima cinematografia permitem a The Favourite pintar um longo retrato de uma outra sociedade que podemos imaginar, de figuras frágeis e tortuosas, de tudo o que é possível à imagem construir.

 

Vice (Adam McKay)

Vice começa por confessar que fez o seu melhor em contar a história de Dick Cheney, um insider político que cresceu em Washington D.C., pela descoberta de um mundo sinuoso que vai até ao gabinete mais importante do Ocidente. Adam McKay volta a contar, depois de The Big Short (2015), uma história sobre a dimensão desse fenómeno transformador que é o poder.

Vice não é um estudo sobre o poder, sobre a forma como ele se movimenta ou sobre as decisões que dele saem: é a definitiva consequência deste. Repetindo a fórmula de The Big Short, McKay usa a criatividade visual para criar um estilo documental falso, com liberdade de interpretação que serve, principalmente, para questionar o mundo deste poder, o mundo em que crescemos. O mundo do petróleo e da doutrina Bush; o mundo de Colin Powell, do combatente inimigo, de Nixon e de Trump; o mundo em que se invade o Iraque e se bombardeia o Camboja, o mundo em que «ainda ontem se derrubavam muralhas e hoje se desmoronam cidades», o mundo de Dick Cheney. Porque Cheney é uma das figuras que mudaram tanto o mundo que o mundo não pode mais ser pensado sem elas — e Vice, ao tentar contar a sua história e, sobretudo, ao tentar entendê-la, torna-se algo importantíssimo: torna-se um filme de que necessitamos.

 

Jefferson Fernandes (redação)

Roma (Alfonso Cuarón)

Roma leva-nos à Cidade do México, anos 70 e, surpreendentemente, vejo-me hoje na mesma cidade. Roma – aqui o seu nome será muito mencionado – é um filme que foge a tudo aquilo que conhecemos. Não aqui incidindo sobre as técnicas de produção e execução (as quais a fotografia e o jogo de paralelos entre as cenas), Roma leva-nos ao melhor do cinema. Não é um filme que nos mantém ligados à história como “Os Vingadores”, ou “Her”, ou qualquer outro. Roma merece pausas para que assimilemos tudo o que vimos e, melhor, sentimos. Roma leva-nos a sentir as cores que pautam a dor sem sequer ter cores, Roma leva-nos ao inconsciente, onde, por sorte, detemos alguma arte – nem que seja a de apreciar a arte dos outros. Roma ama-nos e nós, por mais que custe, amamos Roma.
Não merece um Óscar, isso é para os que se veem num dia somente. Roma não.

 

David Ramos (convidado, aluno de 2º ano de licenciatura)

Vice (Adam McKay)

Nesta biografia comovente de Adam McKay, Dick Cheney é revelado no seu lado mais humano: ao cumprir a promessa que fez à sua futura esposa de ser alguém na vida e de não ser abusivo como fora o seu pai; ao sacrificar a presidência republicana por amor à filha lésbica; e ao auxiliar, como Vice-Presidente, George W. Bush a guiar os Estados Unidos nos anos conturbados que se seguiram à queda das Torres Gémeas.

Este filme ensina-nos como até uma carreira burocrática pode ser uma enorme honra, a não desistir perante os obstáculos que a vida nos coloca (Cheney sofre de problemas cardíacos) e o verdadeiro valor da amizade (a de Cheney e o seu mentor Donald Rumsfeld). Aplaudido pela crítica, nomeado para inúmeros Óscares, recomendo este filme delicioso e atual.

Elenco: Dick Cheney (Christopher Bale), Lynne Cheney (Amy Adams), Donald Rumsfeld (Steve Carell), George W. Bush (Sam Rockwell). Realização e Guião: Adam McKay.

 

Green Book (Peter Farrelly)

Don Shriley, um pianista que prefere Chopin a Little Richard, contrata o preconceituoso e algo rude Tony Vallelonga como guarda-costas para uma digressão ao Sul de Jim Crow.

Hollywood elogia o filme como “relevante”, numa “época em que antigos preconceitos ressurgem”... Ora, a multidão de bons cidadãos, a que vê filmes porque estes são sobre problemas atuais ou porque os “sensibiliza” para alguma “realidade”, não deve ser incomodada. Se a Academia americana aplaude boas intenções, pouco nos deve interessar. O problema surge quando começam a acusar quem cobre o tédio com a palma da mão de ser insensível, de ser inimigo das suas causas, de ser “conservador”.

Porém, o tipo de “conservadores” e “progressistas” desejosos de prostituir a Arte às suas causas são fundamentalmente iguais: um quer livros “patrióticos” e histórias que ensinem o valor da tradição, o outro cinema “feminista” e histórias sobre a necessidade de mudança, etc. Tomemos o exemplo de Green Book e comecemos por ridicularizar quem rotula Chopin como música de branco ou Little Richard como música de preto.

 

Catarina Miranda (redação)

The Favourite (Yorgos Lanthimos)

The Favourite é um dos filmes com mais nomeações para os Óscares este ano e, apesar de concordar que o desempenho das atrizes nomeadas (Olivia Colman, Emma Stone e Rachel Weisz) merece sem qualquer dúvida tais nomeações, o roteiro e o filme deixam bastante a desejar na minha opinião.

O roteiro acaba por ser uma mistura entre biografia, drama e comédia que, na minha opinião, não deixa espaço para as personagens respirarem e se desenvolverem ao máximo do seu potencial, pelo que sinto que algumas oportunidades foram perdidas. No geral, este é um filme que deixa quem está a ver um pouco sem ar e confuso devido aos constantes saltos no tempo e às rápidas interações entre personagens, que acabam por fazer com que se perca a maioria da ação secundária (as discussões do parlamento e a guerra que Inglaterra se encontra a travar). É claro que este não é um filme que tem como finalidade focar tal ação secundária, no entanto, ao não o fazer, quase deixa por desenvolver um dos principais traços de personalidade e motivações de Lady Sarah, o amor ao seu país e a sua perícia política (algo que o filme realça apenas em algumas cenas em que acaba por ficar excessivamente encoberto pelo drama das três personagens centrais). Se este é realmente um filme que tem como foco principal três das mais poderosas mulheres na corte da altura, porque não retratar os seus méritos e motivações individuais, preferindo deixar que Lady Sarah e Abigail se tornem personagens semelhantes, guiadas pelo mesmo drama mesquinho?

Apesar de tudo isto, este filme tem também alguns aspetos positivos. Como já referi, o desempenho da três atrizes é notável e salva o filme de ser um desastre completo, a representação da rainha está até bastante bem feita e os figurinos e locais de gravação conferem a esta produção a credibilidade de que qualquer biografia histórica carece.

Assim, apesar de não considerar que o filme mereça muitas das suas nomeações, especialmente as de “Melhor Filme” e “Melhor Roteiro Original”, penso que é uma excelente escolha noutras, nomeadamente as de “Melhor Atriz”, “Melhor Atriz Coadjuvante” (aqui diria que Rachel Weisz é quem mais a merece) e “Melhor Figurino”.

 

Tomás Burns (redação)

BlacKkKlansman (Spike Lee)

O racismo, enquanto um dos temas polémicos e “sempre-em-voga” da nossa atualidade, já foi bem retratado e mal retratado. Já foi muito bem dissecado e horrivelmente analisado. Como exemplo da primeira, 2017 ofereceu-nos “Get Out” de Jordan Peele, que expõe de forma brilhante o racismo de hoje, sintetizando e unindo o casual racism do atualmente com o racismo de outrora, violento e orgulhosamente confederado, culminando num thriller emocionante que não tem medo de cruzar as fronteiras de filme de terror e de filme de comédia. Ora, Jordan Peele produziu “BlacKkKlansman”, portanto seria de esperar que este filme igualasse, ou melhorasse, o que “Get Out” acabou por ser. Infelizmente não é o caso. Regressando à minha dicotomia inicial, “BlacKkKlansman” enquadra-se no meio. Não é brilhante nem inovador, e não é horrível nem entediante. A premissa é incrivelmente interessante e, se o filme tivesse um objetivo puramente histórico, seria bem conseguido. Aliás, acho que existe pouco mais interessante que a história de um homem afro-americano capaz de se infiltrar no Ku Klux Klan. No entanto, o filme é mais ambicioso e peca por isso, até porque, mesmo após uma exposição a fundo dos males raciais da América, acaba por culminar num desfecho otimista e feliz que em quase tudo contraria a realidade racial que, como todos sabemos, pouco melhorou. A análise do tema, em grande parte por ser um filme histórico, acaba por ser pouco inovadora e nada surpreendente. Por outro lado, as personagens estavam muito bem conseguidas e os papéis foram muito bem representados, sendo que a cinematografia estava igualmente interessante. Mesmo assim, estes fatores não conseguem salvar um filme tão apegado à sua mensagem. Não é um mau filme, é simplesmente um filme que já vimos muitas vezes, que traz pouco de novo para a discussão e para o cinema. 6/10

 

Black Panther (Ryan Coogler)

“Black Panther” é um filme de super-heróis e, por isso, é constantemente rebaixado e criticado, especialmente após a sua nomeação para os óscares. No entanto, esta flagelação intelectual dirigida a “Black Panther” apenas me parece ser um elitismo pouco fundamentado e puramente reacionário, semelhante às pedras lançadas a Conan Osiris no mundo da música ou às declarações de “Isto não é arte!” (desculpa, David) atiradas a Andy Warhol no mundo da arte. “Black Panther é kitsch”. “Black Panther é um filme para crianças”. “Por favor, Black Panther é um filme da Marvel!”. Bem, para mim, “Black Panther” é um filme fantástico, um filme que ultrapassa as barreiras auto-impostas de filme de ação e enfrenta grandes questões de uma forma divertida e emocionante, nomeadamente a dialética entre progressismo e tradicionalismo (uma questão que já explorei aqui no nosso jur.nal em resposta a um revolucionário da estirpe vermelha), mas também o colonialismo, o racismo e o nacionalismo (enfim, uma carrada de “-ismos”). Para além disso, tudo o resto está bem feito, desde a cinematografia (que em pouco se distancia do que é normal em filmes da Marvel, mas não deixa de ser bem feita) até à música (que combina o hip-hop de artistas como Kendrick Lamar e Travis Scott com uma composição fiel às raízes africanas, feita por Ludwig Goransson e Baaba Maal). A representação, os sets e até mesmo a roupa foram concretizadas de forma cuidada e adequada, de forma a fornecer uma aesthetic tão moderna quanto é tradicional, tão futurista quanto é artesanal. “Black Panther” alterou a forma como o mundo via os filmes de super-heróis e esmerou-se ao provar que este tipo de filmes tem muito mais potencial (e aqui falo de um potencial intelectual e criativo, não o já alcançado monetário) do que os peritos de sofá dizem que tem. 8/10

A Star is Born (Bradley Cooper)

O A Star is Born, a estreia de Bradley Cooper como realizador, e um clichê. É um filme quase
feito de plástico, um exemplo de kitsch de Hollywood que já vimos várias vezes e sempre nos
desiludiu. No entanto, surpreendentemente, A Star is Born é muito melhor que parece e, na minha
opinião, excede todas as expectativas, tanto as minhas como as da “indústria”. É um filme muito
focado nas personagens, e tudo o que aqui se desenvolve surge a partir de Jackson Maine, um
cantautor de country rock estereótipo, não muito distante de um qualquer alcoólico deprimido que
saiba cantar e que use um Stetson orgulhosamente na cabeça, e de Ally Campana, uma jovem cantora ambiciosa e forte, habituada a fazer com que os outros a oiçam, e do romance acidental que os dois vão construindo ao longo do filme e ao longo da escalada para o sucesso de Ally e da queda para a infâmia de Jackson. Os dois apresentam-se como opostos e como iguais, e criam uma relação abalada pelos problemas da fama mas vitoriosa perante estes. É uma história quase que clássica no cinema americano, mas sobressai pelas performances de Bradley Cooper e, especialmente, de Lady Gaga, ideal para o papel que representou, pela forma humilde e genuína que Cooper retrata a história e também pelos jogos de cores e pela cinematografia em geral. Em termos de música, o filme não
desilude e fornece melodias sólidas que, embora pouco interessantes, servem como coluna para ação, e adequam-se perfeitamente ao contexto da história e ao romance entre Jackson e Ally. É um filme trágico, mas também comico. E o exemplo de um clichê bem executado. Em suma, é um filme que supera todas as expectativas que se poderiam ter relativas a ele. 8/10

 

João Duarte (redação)

Disclaimer: serei, talvez, o proprietário das críticas mais vazias de conteúdo que irão ler hoje aqui. Depois não digam que não vos avisei.

 

Bohemian Rapsody (Bryan Singer)

Sou dos que tem menos legitimidade para escrever sobre cinema. Estão a ver aqueles clássicos que toda a gente viu e de que todos se servem, mais tarde ou mais cedo, aqui ou ali, em conversas de café? Passei ao lado de muitos, da maioria. Mas tive de ver este porque, como muitos de nós, tenho um fascínio pela música, pelos Queen e por Freddie Mercury. De produção não percebo nada, mas posso afiançar que é um filme agradável (e isto é a coisa mais próxima de uma crítica que vão poder ler nestes comentários), um bom motivo para se fazer pausas no estudo durante a época de exames. Ora, ele há de ser bom, caso contrário não o teria mencionado em aula o professor Jorge Bacelar Gouveia – e logo na segunda aula, que ainda pertence àquelas em que se procura motivar os alunos para aquilo que vão ouvir durante o resto do semestre. Enfim, a recriação do Live Aid põe-me invejoso de ter nascido só em 1999, e Rami Malek consegue arrebatar clientes para Freddie Mercury, mesmo os mais homofóbicos.

 

A Star is Born (Bradley Cooper)

Já tive a oportunidade de dizer a alguns dos que – espero – irão ler isto, que este filme me serviu para perceber de uma vez por todas que nem sempre um cabelo loiro favorece uma mulher (no caso de Lady Gaga: loiro, amarelo, azul, vermelho, roxo, …). Nesse sentido, ao ver esta película, veio-me à memória a frase daquele célebre filósofo português, Salvador Sobral: music is not fireworks. Pois bem, Lady Gaga não é apenas fogo de artifício, nem maquilhagem, nem cabelos esquisitos. Gaga também sabe ser surpreendentemente normal e, pasme-se leitor, surpreendentemente gira. Arrebatou-me a mim tanto quanto ao Bradley. Quanto ao filme, vi-o a uma hora já adiantada. Talvez por isso as minhas pálpebras tenham cedido à pesada força do sono em vários momentos da obra. No essencial, estava acordado – o que me permite defender que, apesar de filme cliché, apesar de uma história de amor, é uma electrizante história de amor, irresistível por isso, mas que nos serve num prato gelado o bolo cru que é a vida de uma estrela de música e os labirintos de quem quer entrar nela. E com esta última frase sinto que não devo voltar a escrever sobre filmes. Prometo que sou melhor noutras áreas. 

 

 

24
Fev19

Relatos de um semestre fora das saias da mãe #3

Jur.nal

Cá estamos de novo! Terminamos em beleza os testemunhos de Erasmus, com a "romana" Morgana Grácio.

Um texto muito bonito, obrigado pela partilha! 

 

𝐑𝐨𝐦𝐚, 𝐈𝐭á𝐥𝐢𝐚

Roma, la cità eterna.

Muito se diz que o Erasmus não é para nos encontrarmos como pessoas, mas para nos criarmos. Não sei se é verdade, não sei se me criei, mas alguma coisa aconteceu. De estranha-se a entranha-se, caí numa cidade velha e caótica e saí de uma cidade antiga e com personalidade peculiar. Não quer isto dizer que não me irritem os autocarros 40 minutos atrasados, ou o lixo no passeio. Mas com o tempo a vista começa a ser atraída a outros pormenores, a roupa a secar no meio dos prédios de tom alaranjado, a luz ao fim do dia, o sol por entre o Coliseu, a diversidade de cores dos gelados a cada passo...Mas que isto não engane ninguém, a cidade é um fator importante na experiência da mobilidade, mas acredito genuinamente que quem faz o Erasmus são as pessoas (entendo o cliché). Pessoas estas que quebraram e confirmaram estereótipos, tinha uma amiga alemã que chegava sempre atrasada, contrariamente à ideia de que alemão que se preze chega cinco minutos antes e um amigo espanhol que falava quatro línguas, não não tive que pôr em prática o "portunhol"! Não vou esquecer os italianos que me mostraram o que é ferver em pouca água e que se quero passar a rua tenho que me mandar de cabeça para a passadeira porque regras da estrada são opcionais. Descobri que ananás na pizza é pecado que só se perdoa com confissão no Vaticano. Foi aqui que aprendi que pizza pode ser pequeno-almoço e que cinco meses são suficientes para fazer amigos para não esquecer. De karaoke à Segunda feira a noites de cartas no Sábado, de vinho a cappuccino, de inglês a italiano, de irlandesas a alemães, vivi tudo e jurei continuar a fazê-lo. Não me conformar com o que tenho e arriscar sempre. Foi neste período de tempo que efetivamente percebi que o mundo apesar de ser tão grande parece ficar tão próximo quando simplesmente...vamos. E pronto, só me sobra dizer, obrigada Erasmus!

"A te che cambi tutti i giorni e resti sempre la stessa" (A ti que mudas todos os dias e te manténs sempre a mesma).

 

23
Fev19

Relatos de um semestre fora das saias da mãe #2

Jur.nal
Bom dia, boa tarde ou boa noite, dependendo da hora a que nos estejam a ler. Hoje temos duplo testemunho de Erasmus!
É a vez de dar voz ao André Andrade e ao Afonso Lima que, juntos, partiram à descoberta do Báltico.
 
𝐕𝐢𝐥𝐧𝐢𝐮𝐬, 𝐋𝐢𝐭𝐮𝐚̂𝐧𝐢𝐚
 
A.A. - A decisão de ir de Erasmus é partir numa aventura da qual não se sabe o que esperar e para a qual não nos sabemos verdadeiramente preparar. Para mim, foi o deixar a casa dos pais com comida e roupa lavada, para passar a ter de fazer por mim tudo aquilo que antes me era entregue de mão beijada. Claro que, para lá de tudo o que esta experiência me deu, fez-me valorizar a família que sempre esteve lá para ajudar e providenciar. Mas esta não foi a única mudança. Passámos de um país relativamente quente para o gelo característico do Báltico, passámos do cozido à portuguesa e do bacalhau para as comidas estranhas e não muito agradáveis, tradicionais na Lituânia. No entanto, como em quase todos os casos, a mudança tem também a sua parte boa! Erasmus deu-me a possibilidade de visitar países que nunca pensei vir a conhecer, mostrou-me bares incríveis dentro dos quais me senti em casa, e acima de tudo isto trouxe-me amizades que sei que ficarão comigo por muito tempo, devido a tudo aquilo que experienciámos juntos. Poderia escrever muito mais sobre aquilo que foi o meu Erasmus mas a verdade é que a escrita não fará jus aos 4 meses lá passados. Agradecer ao Afonso, por estares disposto a, de olhos completamente fechados, dares o passo em frente comigo nesta aventura.
 

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A.L. - É comum ouvir-se por aí que na fase de tomar uma decisão importante nas nossas vidas nunca surgirá o momento que reúna as perfeitas condições para tal, porém, há algo que é certo: romper pelo Erasmus fora vem sempre em boa hora na vida de um estudante universitário. A Lituânia, hoje, é mais do que um simples país perdido no Báltico que acrescentou valências ao meu percurso académico. Simboliza a amizade por quem no meu caminho se cruzou, o respirar de uma cultura sem igual e, acima de tudo, o sentimento de gratificação individual, pela audácia inicial de embarcar rumo ao desconhecido e pela confirmação, já no momento de chegada à Portela, de que não há palavra que agradeça à vida pela aventura presenteada. Vilnius será sempre a memória do bom viver.
 
Vilnius fica-nos mais perto. Obrigado pela partilha, rapazes!
22
Fev19

Relatos de um semestre fora das saias da mãe #1

Jur.nal

O prometido é devido! 
Deixamo-vos, hoje, com o testemunho da Inês Freitas sobre o seu Erasmus por terras belgas.

Haverá mais, durante o fim de semana. Fiquem atentos!

 

 

𝐔𝐧𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬𝐢𝐭𝐞𝐢𝐭 𝐇𝐚𝐬𝐬𝐞𝐥𝐭 - 𝐇𝐚𝐬𝐬𝐞𝐥𝐭, 𝐁é𝐥𝐠𝐢𝐜𝐚

O Erasmus foi uma experiência que eu não poderia ter tido de qualquer outra forma. Foi como se congelasse a vida a que estava habituada e tivesse a oportunidade de viver uma vida diferente durante uns meses. O único aspeto possivelmente negativo é que depois de ter uma vida diferente, de conhecer realidades diferentes, de fazer amigos de outras partes do mundo, parece que tudo o que tinha antes não chega. Vou ter sempre vontade de ver mais, de conhecer mais, de viver mais. Vou ter sempre vontade de ser a pessoa que era quando estava em Erasmus. É que o Erasmus é como um entusiasmo constante: há sempre algo novo para ver, há sempre um país ou uma cidade por perto para conhecer, há sempre tempo para estar com amigos e fazer memórias que sabemos que vão estar eternamente ligadas aos 5 ou 6 meses em que estivemos longe de casa - e nunca vi a ideia de estar longe de casa como algo negativo. Foi a primeira vez que saí de casa e, pessoalmente, não estava, de todo, assustada. Nervosa, talvez. Mas era mais entusiasmo do que outra coisa. Porque o Erasmus também foi uma oportunidade de me testar a mim própria. Eu queria saber como era viver sozinha, como era chegar a um país e não conhecer absolutamente nada nem ninguém, como era sentir-me afastada de tudo o que conhecia. E o mais bonito é olhar para trás e comparar o receio que tinha no início com a tristeza que senti quando me vim embora. No final de contas, eu posso dizer que conheço mais do que aquilo que tinha vivido até agora. Posso dizer que me aventurei para além daquilo que imaginava. Nunca tive nem nunca vou ter nada como o Erasmus. O facto de ter acabado vai sempre doer um bocadinho, mas não podia durar para sempre. O que tenho para sempre são as memórias e os sentimentos que trouxe. E, como uma amiga me disse, o facto de ser tão difícil dizer adeus só prova que valeu a pena.

 

Obrigado pela partilha, Inês!

21
Fev19

Churrasco de Receção aos alunos de Erasmus

Jur.nal
Hey! Hey! Hey!
 
Ontem houve churrasco de boas-vindas aos nossos colegas de Erasmus do novo semestre e o JUR.NAL esteve lá.
E com a maravilhosa ajuda do Departamento de Comunicação da AE, que nos permitiu o registo fotográfico dos primeiros momentos de entrosamento entre os nossos de sempre e os seus buddies de vários pontos do Globo! Apenas alguns, não quisemos chatear demasiado a Sara Pacheco. 
 
Os sorrisos não mentem: eles e elas sentem-se bem. Na Nova! 
 
P.S. Ainda sobre o tema Erasmus: percurso inverso fizeram, por exemplo, a Morgana Grácio, a Inês Freitas, o Afonso Lima e o André Andrade, no 1º semestre! O mundo ficou mais rico, os futuros juristas da Nova transpuseram as fronteiras lusas - e não foi para ir comprar caramelos a Badajoz! Fiquem atentos aos próximos posts, porque eles vão partilhar connosco em pequenos relatos os seus sentimentos acerca dos últimos meses!
 

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A Maria Sampaio e o Niklas Stodolski, da Alemanha! Não sabemos se é ele que é demasiado grande ou ela que é demasiado pequenina...

 

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A Morgana Grácio com a Federica Pat, da Itália e o Louis Glesener, do Luxemburgo! Duas caras lindas, e o Louis fala português. Portanto, também é lindo!

 

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A Sara Pacheco largou a câmara por uns segundos e posou com a Danielle Spier Martins, do Brasil!

 

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Olha a Sara outra vez, com a Teresa Machova, da República Checa! Não vai poder viver a Primavera de Praga!

 

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A Rufina Freitas com a Sabrina Pedrosa, do Brasil! 

 

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A Inês Freitas com o Daniel Schmitt, da Alemanha, e a Ana Carolina Prado, do Brasil! Em escadinha! 

 

Que aproveitem Portugal!

 

 

 

 

 

 

13
Fev19

Brexit ou as Escolhas da Senhora May

Jur.nal

Imagem: CNN.com 

 

Drama em Três Atos

 

Dramatis Personae:

Theresa May, Primeira-Ministra do Reino (Des)Unido da Bretanha

Philip Hammond, seu fiel escudeiro

"Dodgy Dave" Cameron, Fantasma dos Tories Passados

As Duas Bruxas de Mould-on-the-Wold, Nigela Farage e Boriska Johnson

"Order!" Bercow, Duende-Falador de Westminster

Vinte e Sete Anciãos do Templo de Bruxelas

Monsieur Barnier, representante dos Veneráveis Anciãos

Os Cavaleiros de Westminster

Jacob Re:Smog, Comendador dos Cavaleiros de Westminster

Corgis da Rainha

 

 

Sinopse

 

Ato I

 

Cena 1: Downing Street, número 10, noite. Theresa May e o seu fiel escudeiro Philip Hammond discutem as ideias da Senhora May para um governo forte e estável, quando são subitamente visitados por "Dodgy Dave" Cameron, o Fantasma dos Tories Passados. Cameron releva a May que, antes de poder embarcar nos seus fortes e estáveis planos, deverá resolver o Enigma do Brexit, que este lhe deixou como legado. Caso falhe na resolução deste Enigma, Cameron avisa-a que o seu nome ficará para sempre manchado de infâmia nas páginas da história do encantado Reino (Des)Unido da Bretanha. Para saber mais sobre este Enigma, "Dodgy Dave" revela-lhe que deverá visitar as Duas Bruxas de Mould-on-the-Wold, Nigela Farage e Boriska Johnson. Tendo o espectro desaparecido depois de contemplar com amorosa saudade um quadro da Baronesa Thatcher, o fiel escudeiro Hammond pergunta à Senhora May qual o motivo desta visita às Bruxas de Mould-on-the-Wold. May recorda que, segundo uma antiga lenda, o Enigma do Brexit tinha sido conjurado pelas Duas Bruxas através de um misterioso ritual mágico, o "Referendum Populo Anglorum".

 

Cena 2: Mould-on-the-Wold, Cabana das Bruxas, madrugada. As Duas Bruxas de Mould-on-the-Wold, em torno de um decrépito e repelente caldeirão, misturam £350 milhões/semana para o NHS, uma dose de soberania sobre as fronteiras, três doses de independência judiciária e cinco quartilhos de Acordos-Comerciais-com-a-Commonwealth, tentando produzir o nefasto Elixir do Populismo. Estando Johnson a destilar a bílis das suas mágoas políticas e Farage fermentar uma dose de essência de tabloide, May entra na cabana, acompanhada pelo seu fiel escudeiro Hammond. Inquiridas pela Senhora May quanto ao Enigma do Brexit, as Duas Bruxas apresentam a May um velho espelho, no qual ela poderá ver o caminho que terá que percorrer para resolver este Enigma. O espelho revela a May que deverá viajar até ao remoto Templo de Bruxelas e enfrentar os desafios que os Vinte e Sete Anciãos do Templo lhe colocarão.

 

Ato II

 

Cena 1: Floresta da Valónia, manhã. A Senhora May e o seu fiel escudeiro atravessam a densa e encantada floresta da Valónia, quando lhes surge no caminho "Order!" Bercow, Duende-Falador de Westminster. O Duende-Falador anuncia que fora enviado pela Ordem dos Cavaleiros de Westminster para a ajudar a enfrentar os Vinte e Sete Anciãos do Templo de Bruxelas. Não podendo ele próprio entrar no Templo, "Order!" Bercow dá-lhe dois conselhos: primeiro, que o ritual mágico "Referendum Populo Anglorum" tinha utilizado a vontade da maioria do povo do Reino (Des)Unido para conjurar o Enigma e que, portanto, quebrar o encantamento seria visto como uma traição ao povo; segundo, que ela deveria ter em mente que a Ordem os Cavaleiros de Westminster teria sempre que autorizar a solução que a Senhora May encontrasse para o Enigma. Ponderando estes conselhos, May, o seu fiel escudeiro e o Duende-Falador aproximam-se do Templo de Bruxelas.

 

Cena 2: Templo de Bruxelas, tarde. A Senhora May e o seu fiel escudeiro Hammond entram no Grande Salão do Templo de Bruxelas, onde encontram, sentados nos seus tronos, os Vinte e Sete Anciãos do Templo. May anuncia que se encontra ali para responder ao Enigma do Brexit. Depois de solenes acenos de cabeça dos Anciãos, Monsieur Barnier, representante dos Veneráveis Vinte e Sete, aproxima-se e apresenta-se para administrar o Enigma à Senhora May. Barnier avisa-a, no entanto, que só aos Vinte e Sete cabe aprovar a solução proposta por May. Barnier revela a May que o Reino (Des)Unido da Bretanha tem vivido, nas últimas décadas, sob a proteção mágica do Templo de Bruxelas, mas que o ritual das Duas Bruxas de Mould-on-the-Wold ameaçava pôr fim a essa proteção mágica. A Senhora May tinha, assim, que escolher uma entre três opções. Primeiro, podia ignorar o Enigma e deixar que a proteção mágica do Templo se desvanecesse. Barnier avisa May das graves consequências que esta escolha teria – a dissipação da libra e o colapso da bolsa de valores, a falência ou fuga de empresas e bancos, o risco da independência da Escócia ou da violência na Irlanda no Norte, a ruína dos stocks nacionais de cerveja alemã e canábis holandesa – que fazem o escudeiro Hammond tremer de terror. Segundo, a Senhora May podia simplesmente quebrar o encantamento e deixar que o Reino (Des)Unido permanecesse sobre a proteção do Templo, o que lembrou imediatamente May do conselho de "Order!" Bercow. Finalmente, May podia aceitar resolver o Enigma do Brexit, apresentando ao Templo uma solução que permitisse ao Reino (Des)Unido sair da influência do Templo de Bruxelas, sem perder todos os benefícios dessa proteção, e que fosse aceitável para os Veneráveis Vinte e Sete. May escolhe a última opção e durante 1001 noites procura a solução para o Enigma. Quando May finalmente encontra uma solução aceitável para os Anciãos do Templo, um tropel de cavalos, lanças e trompetes anuncia a chegada dos Cavaleiros de Westminster à porta do Templo, comandados pelo Comendador Jacob Re:Smog, que anunciam a sua total rejeição desta solução. Monsieur Barnier avisa May de que esta é a única solução possível e que os Veneráveis Vinte e Sete não aceitarão outra. O Duende-Falador e Monsieur Barnier dizem à Senhora May que terá até à manhã seguinte para resolver o dilema. O fiel escudeiro Hammond chora dos pés da sua Senhora enquanto o pano cai.

 

Ato III

 

Cena Única: Templo de Bruxelas, manhã. Improvisação. O autor deste drama preferiu o doce oblívio da morte a ter que inventar uma resolução para esta embrulhada. As personagens regressam a cena e tentam improvisar um final para este drama. A peça termina com os corgis da Rainha a passear à boca da cena.

 

 

João Francisco Diogo

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